Os Santos do mês de Junho: Antonio, João Batista e Pedro

Os santos intercedem mesmo por nós?Algumas pessoas perguntam se a intercessão dos santos é uma realidade. A Igreja Católica Apostólica Romana sempre acreditou que as pessoas, que morreram, tendo a vida santificada, vão imediatamente para o céu. Eles se baseiam no livro apócrifo (não canônico ) ou seja, não inspirado de II Macabeus 15:11-15 onde diz assim:

“Narrou-lhes ainda uma visão digna de fé uma espécie de visão que os cumulou de alegria. Eis o que vira: Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linguagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu. Em seguida havia aparecido do mesmo modo um homem com os cabelos todos brancos, de aparência muito venerável, e nimbado por uma admirável e magnífica majestade. Então, tomando a palavra, disse-lhe Onias: Eis o amigo de seus irmãos, aquele que reza muito pelo povo e pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus. E Jeremias, estendendo a mão, entregou a Judas uma espada de ouro, e, ao dar-lhe, disse: Toma esta santa espada que Deus te concede e com a qual esmagarás os inimigos.”

O povo judeu estava em guerra contra os gentios na época em que era liderado por Judas Macabeus, e para levantar o ânimo dos guerreiros, Judas contou-lhes a visão que teve, na qual Onias, sacerdote já falecido e Jeremias, intercediam por eles. Mas os mortos intercedem?

SANTO ANTÔNIO – 13 de Junho. Quem foi este homem? Antônio, também chamado Fernando, nasceu em Lisboa em 15 de agosto de 1195, em uma família rica. Ainda moço, em 1231 faleceu em Pádua na Itália. Aos 15 anos entrou para o Convento de Santa Cruz de Coimbra. Foi admitido na ordem dos irmãos menores de São Francisco, onde ordenou-se sacerdote. Logo depois partiu para missões contra os infiéis, no Marrocos. Lecionou teologia nas universidades italianas de Bolonha e Pádua e nas universidades francesas de Toulouse, Mont-Pellier e Puen-en-Velay, adquirindo reputação de orador sacro. Descoberto o seu dom de orador, passou a pregar a palavra de Deus. Ficaram célebres os sermões pregados em Forli, Provença, Languedoc e Paris. Dentro da Ordem Franciscana, liderou um grupo que se insurgiu contra os abrandamentos introduzidos na regra pelo superior. Entre seus escritos, figura uma coleção de sermões para domingos e dias santificados a igreja Romana.

Foi canonizado pelo papa Gregório IX em 30 de maio de 1232. É o patrono de Portugal e de Pádua. É atribuída a ele a frase: “Cessem as palavras, falem as obras”.

Os portugueses Católicos levaram para o Brasil, a devoção de Santo Antônio. A devoção à Santo Antônio de Lisboa, foi introduzida em Pernambuco em 1550. O santo familiar, o desvendador de pedidos e protetor de casamento. Em Portugal, aparece também, como o protetor dos taverneiros e dos varejistas em geral.

SÃO JOÃO – 24 de Junho. Quem foi este homem? Não podemos confundir João; o Batista, com João; o Evangelista, autor do quarto evangelho, Apocalipse e das 3 cartas que levam o seu nome. O Evangelista era filho de Maria e de Zebedeu, o Batista era filho de Isabel e Zacarias. Seu nascimento e missão foram anunciados pelo Anjo Gabriel. Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus, nasceu na cidade de Judá. Na circuncisão recebeu, por inspiração divina, o nome de João. Era seis meses mais velho que Jesus, mas iniciou sua pregação pública, à beira do rio Jordão, alguns anos antes de Cristo dar início à sua própria missão. Chamaram-no Batista pela importância que, em seu ministério, emprestou ao batismo. E também o precursor porque pregou antes de Cristo, anunciando-o.

Segundo os evangelhos, João alertava o povo para aproximação da vinda do Messias e insistia na pregação de arrependimento para essa vinda. Praticava o ritual de purificação que era o batismo por imersão nas águas, significando mudança interior de vida. Sua missão termina com o encarceramento na fortaleza de Maquerunte, onde foi degolado por ordem de Herodes Antipas, a pedido de sua enteada Salomé. Sua figura está ligada ao sacramento do batismo. Dos três santos festejados no mês de junho pela igreja Romana, João teve o poder de dar ao mês seu nome e qualificar de “juninas”, as festas realizadas no decorrer dos seus trinta dias.

SÃO PEDRO – 29 de Junho. Quem foi esse homem? Pedro, nasceu na Galiléia, onde exerceu o ofício de pescador em sociedade com seu irmão André. Sempre em evidência nos evangelhos, Pedro, um dos doze apóstolos de Cristo, também é conhecido por Simão, Simão Pedro e Simão Barjona, filho de João ou Jonas.

Sabe-se que foi casado porque viveu com a sogra em Cafarnaum. Jesus, certa vez, viu as margens do lago Genesaré aquele rude pescador queimado do sol, de mãos calejadas e grosseiras, e lhe disse: – “Segue-me e farei de ti um pescador de homens.” Apesar da negação de Jesus, Pedro deixou um grande legado ao Cristianismo. De acordo com a narrativa evangélica, era espontâneo, leal e generoso, de iniciativas ardentes e raciocínio rápido, ao mesmo tempo em que era precipitado e um tanto medroso. Pedro reconheceu a Divindade de Jesus, junto aos apóstolos, mas, depois O negou três vezes.

É incontestável sua liderança no início da vida cristã. Tanto é assim que é mencionado 23 vezes no evangelho de Marcos, 24 no de Mateus, que o exalta mais do que qualquer outro, 27 no de Lucas; e 39 no de João. No Novo Testamento é citado 182 vezes.

Quando chefe da comunidade cristã em Jerusalém, após a morte de Cristo, Pedro foi preso algumas vezes. Em 67 d.C, o apóstolo Pedro foi arrastado ao tribunal militar, ouviram a enumeração de seus crimes e foi condenado. Pedro foi arrastado, e sua cruz à frente, para um lugar no alto de uma colina em Roma, e de acordo com a tradição Católica, foi onde está a Basílica de São Pedro no Vaticano, ali pregado na cruz. Persiste a tradição de que foi crucificado, a seu pedido,de cabeça para baixo, sob a alegação de que era indigno de morrer como Cristo morreu.

De acordo com a Bíblia quem são os santos e o que eles fazem? A palavra santo vem do grego “hagios”, que significa, consagrado a Deus, sagrado, piedoso. É quase sempre usada no plural, santos. Veja alguns textos: “Senhor, de muito tenho ouvido a respeito desse homem, quantos males tem feito aos teus santos em Jerusalém” Atos 9:13. “Passando Pedro por toda parte, desceu também aos santos que habitavam em Lida” Atos 9:32. “…encerrei muitos dos santos nas prisões…” Atos 26:10.

A idéia da palavra santo é de um grupo de pessoas escolhidas para o Senhor e o Seu Reino. Há três referências relacionadas ao caráter piedoso dos santos; “…que a recebais no Senhor como convém aos santos…” Romanos 16:2. “…com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho no seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” Efésios 4:12. “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos” Efésios 5:3.

Portanto, nos termos das Escrituras, os santos são o corpo de Cristo, os cristãos, a Igreja. Todos os cristãos são considerados santos. Em I Coríntios 1:2 diz claramente: “…à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos…” As palavras, santificados e santos têm a mesma origem grega. Os cristãos são santos pela virtude da sua comunhão com Jesus Cristo. Os cristãos são chamados a serem santos, para cada vez mais permitirem que a sua vida diária se aproxime da sua posição em Cristo. Essa é a descrição e o chamado bíblico dos santos.

Como o entendimento Católico Romano dos santos se compara com o ensinamento bíblico? De forma distorcida. Na teologia Católica, os santos estão no céu. Na Bíblia, os santos estão na terra. No ensinamento Católico, uma pessoa não se torna um santo a menos que seja beatificada e canonizada pelo papa ou por um bispo destacado. Na Bíblia, todo aquele que recebe a Jesus Cristo pela fé é um santo. Na prática católica, os santos são reverenciados, recebem orações e, em alguns casos, são adorados. Na Bíblia, os santos são chamados a reverenciar, adorar e orar apenas a Deus.

De acordo com a Bíblia onde estão Antonio, João e Pedro? Estão na sepultura aguardando a ressurreição. Se estiverem salvos, serão ressuscitados quando Jesus retornar. Se estiverem perdidos, ressuscitarão após os 1000 anos.

Convido a todos para festejarmos o reino dos céus com hinos de louvor e adoração, em vez de seguir a tradição junina sem nehum fundamento bíblico.

Que Deus ilumine as nossas mentes.

Fonte: Luís Carlos Fonseca – Temas Bíblicos

Para saber mais sobre o que acontece ao ser humano após a morte leia os artigos:

• Depois da Morte
• Pode um Morto dar conselho?
• Estão os mortos realmente mortos?
• Sem temor do além-túmulo
• Três Coisas que Você Deve Saber Sobre a Morte
• Para Onde Vão os que Morrem?

Fonte: Sétimo Dia

2 ideias sobre “Os Santos do mês de Junho: Antonio, João Batista e Pedro

  1. Caríssimo irmão,
    Paz e bem!
    Só queria que o mesmo procura-se entender mais e não falar o que você ouve de seus pastores. Estude mais e procure aprofundar-se e ver o que realmente a Igreja diz. Até gostava de seu site, mas publicações como esta mostram que tudo fica no superficialismo, mesmo assim, que Deus continue sendo louvado por este site. Vão alguns verdadeiros ensinamentos da Igreja que há 2000 anos prega isso:

    Diferença de culto (latria, dulia e hiperdulia)

    Alguns protestantes confundem o culto que os católicos tributam aos santos com o culto que se deve a Deus. Para introduzir o assunto da intercessão dos santos é necessário esclarecer a diferença que existe entre os cultos de “dulia”, “hiperdulia” e “latria”.

    Em grego, o termo “douleuo” significa “honrar” e não “adorar”.

    No sentido verbal, adorar (ad orare) significa simplesmente orar ou reverenciar a alguém.

    A Sagrada Escritura usa o termo “adorar” em várias acepções, tanto no sentido de douleuo como de latreuo, como demonstrarei através da “Vulgata”, Bíblia católica original e escrita em latim.

    “Tu adorarás o teu Deus” (Mt 4, 10)

    “Abraão, levantando os olhos, viu três varões em pé, junto a ele. Tanto que ele os viu, correu da porta da tenda a recebê-los e prostrando em terra os adorou” (Gn. 18,2).

    Eis os dois sentidos bem indicados pela própria Bíblia: adoração suprema, devida só a Deus; adoração de reverência, devida a outras pessoas.

    A Igreja católica, no seu ensino teológico, determina tudo isso com uma exatidão matemática.

    A adoração, do lado de seu objeto, divide-se em três classes de culto:

    1. culto de latria (grego: “latreuo”) quer dizer adorar – É o culto reservado a Deus

    2. culto de dulia (grego: “douleuo”) quer dizer honrar.

    3. culto de hiperdulia (grego: hyper, acima de; douleuo, honra) ou acima do culto de honra, sem atingir o culto de adoração.

    A latria é o culto que se deve somente a Deus e consiste em reconhecer nele a divindade, prestando uma homenagem absoluta e suprema, como criador e redentor dos homens. Ou seja, reconhecer que ele é o Senhor de todas as coisas e criador de todos nós, etc.

    O culto de dulia é especial aos santos, como sendo amigos de Deus.

    O culto de hiperdulia é o culto especial devido a Maria Santíssima, como Mãe de Deus.

    Alguns protestantes protestam dizendo que toda a “inclinação”, “genuflexão”, etc, é um ato eminentemente de “adoração”, só devido à Deus.

    Já demonstramos, com o trecho do Gênesis, que isso não procede. Todavia, para deixar mais claro o problema, devemos recordar que o culto de “latria” (ou de “dulia”) é um ato interno da alma. A adoração é, eminentemente, um ato interior do homem, que pode se manifestar de formas variadas, conforme as circunstâncias e as disposições de alma de cada um.

    Os atos exteriores – como genuflexão, inclinação, etc -, são classificados tendo em vista o “objeto” a que se destinam. Se é aos santos que se presta a inclinação, é claro que se trata de um culto de dulia. Se é a Deus, o culto é de latria.

    Aliás, a inclinação pode ser até um ato de agressão, como no caso dos soldados de Pilatos que, zombando de Nosso Senhor, “lhe cuspiram no rosto e, prostrando-se de joelhos, o adoraram” (Mc 15, 19). A objeção protestante, dessa forma, cai por terra. Ou eles teriam que afirmar que havia uma “adoração” por parte dos soldados de Pilatos, o que é absurdo! Eles simulavam uma adoração (ou veneração ao “Rei dos Judeus), através de atos exteriores, mas seu desejo era de zombaria.

    A mediação dos santos

    “Orai uns pelos outros, para serdes salvos, porque a oração do justo, sendo fervorosa, pode muito”(Tgo 5, 16)

    Orar quer dizer prestar homenagem, louvar, exaltar, suplicar, embora nem toda homenagem seja uma oração, como já vimos.

    “Tomai sete touros… e ide a meu servo Job… o meu servo Job… orará por vós e admitirei propício a sua face” (Job 42, 8). Neste trecho, Deus não apenas permite, mas ordena “ide”, e promete escutar a prece que Jó há de fazer em favor dos seus amigos.

    Nosso Senhor nos manda “Orar uns pelos outros” (MT 5, 44). S. Tiago nos ordena de “orar uns pelos outros” (Tgo. 5, 16). S. Paulo diz que “ora pelos colossenses” (Col. 1, 3).

    No evangelho de S. Mateus (22, 30), Jesus Cristo ensina que os “santos são como os anjos de Deus no céu”. Zacarias diz: “que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos” (1, 12 -13).

    Os justos, os santos e os anjos do Céu se interessam pelos homens, intercedem pelos homens, e devem ser invocados e louvados.

    O arcanjo Rafael diz a Tobias: “Quando rezavas com lágrimas, e sepultavas os mortos, eu oferecia tua oração a Deus” (Tob. 7, 12) (Os protestantes tiraram esse livro).

    S. Paulo, na mesma carta em que declara Jesus como único mediador entre Deus e os homens, indica também mediadores ‘secundários’ (I Tm 2, 1-5): “Recomenda que façam preces, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens…” Pois, fazer orações por outros, é de fato, ser intercessor e mediador entre Deus e os outros.

    A própria Bíblia aplica o título de mediador também a Moisés (Dt 5, 5): “Eu fui naquele tempo intérprete e mediador entre o Senhor e vós”.

    Quando a Sagrada Escritura diz que Nosso Senhor é o único caminho entre os homens e Deus, não quer dizer que entre os homens e Nosso Senhor não possa haver intercessores. É claro, só Nosso Senhor é o intercessor entre nós e Deus Pai, mas não significa que entre nós e Ele não existam pessoas que O conheceram, amaram e serviram de forma exemplar.

    É por isso que a doutrina católica chama Nossa Senhora de “Mediatrix ad Christum mediatorem”, isto é, “Medianeira junto a Cristo mediador”. Deste modo, Cristo fica como único mediador entre Deus e os homens; e a Virgem Maria fica uma “medianeira junto a Cristo”.

    O poder de interceder está expresso em diversas passagens das Sagradas Escrituras, como nas Bodas de Caná, onde Nosso Senhor não queria fazer o milagre, pois “ainda não havia chegado Sua hora” e “o que temos nós a ver com isso (com a falta de vinho)?”. Bastou Nossa Senhora pedir para que seu Filho fizesse o milagre, que Ele adiantou sua hora para atender à intercessão de sua Mãe Santíssima. Que tamanho poder de intercessão têm Nossa Senhora! Fazer com que Deus, por assim dizer, mudasse seus planos? É tal o poder de Nossa Senhora que a doutrina católica a chama de onipotência suplicante, ou seja, Aquela que tem, por meio da súplica a seu Filho, o poder onipotente!

    Existem diversas passagens da Sagrada Escritura em que Deus só atende por meio da intercessão dos santos, como no caso de Jó (já visto), em que Deus expressamente mandou que o fiel pedisse através de seu servo Jó. Ou mesmo o caso do discípulo de Santo Elias, que só fazia milagres quando pedia através do Deus de Elias.

    Ora, é natural que Deus atenda àqueles que estão mais perto dele do que àqueles que estão mais distantes. Quanto maior a virtude de uma pessoa, tanto mais perto de Deus ela está e tanto mais pode interceder por nós.

    Portanto, fica comprovado que é útil a intercessão dos santos junto à Nosso Senhor Jesus Cristo, único mediador entre os homens e Deus-Pai.

    Os Santos não dormem após a morte, pois “Deus é Deus dos vivos” e não dos adormecidos

    Eis algumas passagens que demonstram a falsidade do argumento daqueles que defendem a tese de que os homens estão “dormindo” após a morte. 1) Na transfiguração do Tabor, Nosso Senhor aparece ao lado de Elias e de Moisés. Elias está no Paraíso terrestre (ele não morreu e deve voltar no fim do mundo) e Moisés já estava morto (Lc 9, 28 ss). Ora, como alguém que esteja dormindo pode aparecer “acordado” ao lado de Nosso Senhor?, 2) Na parábola do “rico avarento”, este pedia, após sua morte, para voltar à terra e avisar os seus amigos (Lc 16, 19 e ss). Pergunta-se, como um ser que dormia podia pedir para ‘interceder’ pelos seus?. 3) Veja essa outra citação: “santos são como os anjos de Deus no céu” (S. Mateus 22, 30). Será que os anjos também estão dormindo? E o nosso anjo da guarda? E os anjos que governam os astros?

    Ora, é muita contradição defender que os santos estão dormindo, mesmo porque, Deus, voltando-se ao bom ladrão, disse: “Em verdade, em verdade vos digo, ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Ora, ele não disse que após adormecer e após a ressurreição dos corpos S. Dimas estaria no paraíso. Ele estava ‘no tempo’, vivo, quando disse essas palavras, indicando a morte próxima de S. Dimas e a entrada deste primeiro santo canonizado da Igreja.

    Em outro trecho, quando discutia com os saudoceus: “Quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que Deus nos declarou? Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos” (Mateus 22, 31-33). Logo, Abraão, Isaac e Jacob estão vivos e não “adormecidos”.

    No Novo Testamento é nítida a afirmação de que, após a morte, os justos gozam de vida consciente e bem-aventurança. Assim, S. Paulo desejava morrer para estar com Cristo – o que lhe parecei melhor do que ficar na vida presente: “Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro… Sinto-me num dilema: meu desejo é partir e estar com Cristo, pois isto me é muito melhor….”(Fl 1, 21, 23) – Se é para estar com Cristo, ou Nosso Senhor está dormindo, ou os santos não estão dormindo após a morte.

    Mais: em Ap. 6, 9s, os mártires, junto ao altar de Deus nos céus, clamam em alta voz: “Até quando, ó Senhor Santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?” Como se vê, os justos estão conscientes após a morte!

    A palavra “dormir” é utilizada em sentido figurado, como eufemismo, significando aqueles que morreram. Em outro trecho, a palavra ‘despertar’ significa ‘ressuscitar’. Quando Nosso Senhor fala, por exemplo: “Pelos frutos conhecereis a árvore”. A qual árvore Ele está se referindo? É claro que é uma expressão em sentido figurado. Ele está dizendo que pelos “frutos” (boas obras) conhecereis a “árvore” (quem, de fato, é a pessoa, a instituição etc).

    A intercessão dos Santos Após a Morte

    Alguns exemplos de intercessão após a morte:

    Jeremias: “E o Senhor disse-me: ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, a minha alma não se inclinaria para este povo; tira-os da minha face e retirem-se” (Jer 15, 1 ss). No tempo de Jeremias, estavam mortos Moisés e Samuel, mas sua possível intercessão é confirmada pelas palavras do próprio Deus: “ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim…”, quer dizer que eles poderiam se colocar diante de Deus para pedir clemência para com aquele povo. Em outras palavras, Deus deixa clara a possibilidade da intercessão após a morte.

    Os “santos são como os anjos de Deus no céu” (S. Mateus 22, 30). Zacarias diz: “que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos exércitos” (1, 12 -13).

    Em II Mac 15, 12-15 lemos: “Parecia-lhe (a Judas Macabeu) que Onias, sumo sacerdote (já falecido!)… orava de mãos estendidas por todo o povo judeu… Onias apontando para ele, disse: ‘Este é amigo de seus irmãos e do povo de Israel; é Jeremias (falecido), profeta de Deus, que ora muito pelo povo e por toda a cidade santa”.

    No Apocalipse (6, 9s), os mártires, junto ao altar de Deus nos céus, clamam em alta voz: “Até quando, ó Senhor Santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?”

    Todos estes trechos demonstram, inequivocamente, a intercessão dos santos após a morte.

    As Relíquias dos Santos e o Incenso

    Era comum, já nas catacumbas, a reprodução de imagens e a guarda das relíquias dos santos. Qualquer um que visitar Roma verá as catacumbas com pinturas, inclusive da Mãe de Deus. S. Lucas, um dos evangelistas, pintou imagens de Nossa Senhora (fala-se em três pinturas). Uma das quais está exposta à veneração dos fiéis na igreja de Loreto, Itália.

    O incenso era utilizado como ritual desde o Antigo Testamento. Os capítulos 25 a 31 do Êxodo são a enumeração de todos os objetos que Deus manda fazer e reservar para o seu culto.

    E não somente Deus manda separar estes objetos, mas exige que sejam “consagrados, bentos ou ungidos” com uma unção especial.

    Ele mesmo manda fazer o azeite da santa unção e diz: “E com ele ungirás a tenda da reunião e a arca do testamento, e a mesa com todos os seus vasos, o altar do incenso e a pia com a sua base” (Ex 30, 26-30)

    Eis a origem da benção dos objetos e das pessoas consagradas a Deus. E na categoria de objetos entram as imagens, as estátuas, que são objetos de culto, enquanto nos lembram as virtudes dos santos que representam.

    Sobre relíquias, devemos explicar o seu significado.

    Relíquia é aquilo que resta dos corpos dos santos, ou os objetos que estiveram em contato com Cristo ou com os santos. As relíquias são veneráveis porque os corpos dos santos foram templos e instrumentos do Espírito Santo e ressuscitarão um dia na glória (Conc. de Tr. 25).

    O culto das relíquias é inato no homem: gostamos de conservar como recordação os objetos que pertenceram aos homens ilustres, as armaduras dos grandes guerreiros, por exemplo. O mesmo Deus honra as relíquias, porque se serve delas para operar milagres. Muitos corpos de santos permanecem incorruptos, exalando bom odor etc.

    Já os hebreus conservavam religiosamente as relíquias: Moisés levou do Egito o corpo de José (Ex. 13, 19); os cristãos imitaram-lhe o exemplo. Santo Inácio de Antioquia foi lançado no anfiteatro de Roma às feras, que lhe não deixaram senão ossos; os seus discípulos procuraram-nos de noite e levaram-nos para Antioquia (no ano 107). O mesmo se fez a S. Policarpo, bispo de Esmirna (166), queimado vivo; os seus restos foram considerados jóias preciosas. Os túmulos dos mártires foram, desde a mais alta antigüidade, os sítios onde se construíram Igrejas e altares para aí celebrar o Santo Sacrifício. Muitas relíquias se guardam em relicários de prata, como a Cruz de Cristo (“lignum crucis”) e o presépio de Belém.

    Santo Agostinho conta uma multidão de curas e a ressurreição de duas crianças obtidas na África do Norte pelas relíquias de S. Estevão. Já no Antigo Testamento vemos um morto ressuscitar ao contato dos ossos do profeta Eliseu (4 Reis, 13, 21).

    Nada de estranho há nisso, pois ao simples tocar da veste do Messias, quantos não foram curados (Mt 9, 22)? A simples passagem da sombra de S. Pedro curava doentes (At 5, 15), ou os lenços e aventais de S. Paulo (At 19, 12). É evidente que o milagre não é produzido materialmente pelas relíquias, mas pela vontade de Deus. Não há, pois, superstição alguma nas peregrinações do povo cristãos a certos lugares em que Deus obra milagres pelas relíquias ou imagens dos santos (S. Agostinho).

  2. Saulo,
    Estou muito feliz com sua participação no blog.
    Gostaria muito de estudarmos mais afundo estas doutrinas bíblicas.
    Só falando um pouco de mim, não sou seguidor do que meus pastores pregam, mas, sou seguidor do que existe na Bíblia e somente nela, “sola scriptura”, não sigo as tradições como regra de fé.
    Todas as questões abordadas por você já foram explicadas em outros textos no blog.
    Fico a disposição para estudarmos temas bíblicos e para iniciarmos estudarmos sobre a “imortalidade da alma”.
    Em qual cidade você mora?
    Sucesso e que Deus continue te ajudando a ser sincero no que crê e possa tirar todos os nossos pré-conceitos.
    Te mandei um email para se possível estudarmos juntos.
    Abraço.

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