O que significa temer a Deus ?

O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. (Salmo 34:7)

Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa tragar; (1 Pedro 5:8)

Os dois textos acima são complementares. O primeiro é uma linda promessa e o segundo uma séria advertência para cada um de nós.

Saber que temos proteção divina em um mundo tão perigoso é, no mínimo, um alívio. Quando combinamos os dois textos, então, temos uma alegria maior ainda. O alerta feito na carta de Pedro nos diz que existe um inimigo sempre pronto a nos devorar assim como um leão faminto tenta devorar sua presa.

Duas expressões são importantes nestes textos: “Redor” e “derredor”. O anjo está ao redor e o diabo está ao derredor. Podemos perceber uma clara progressão nestas expressões. Temos um amigo protetor bem próximo de nós, mas logo após ele está o inimigo querendo nos destruir.

Enquanto o anjo estiver ao nosso redor estaremos seguros, mas no momento que o anjo sair do seu lugar, o inimigo terá acesso direto à nossa vida e estaremos correndo sérios perigos de consequências eternas.

O salmo 34:7 nos mostra como desfrutarmos permanentemente da companhia do anjo do Senhor. Ele está ao redor dos que o temem. Devemos, portanto, nos preocupar em compreender profundamente o que significa temer a Deus. Inicialmente já devemos saber que o temor nesse texto não é a mesma coisa que ter medo. No sentido bíblico, temer é algo muito mais amplo.

Temer a Deus envolve pelo menos três aspectos da vida cristã: Adoração, Amor a Deus e Serviço. Se compreendermos estes aspectos poderemos temer realmente a Deus e desfrutarmos de sua constante companhia e proteção.

Adoração

Adorar a Deus é mais que uma ação pontual é um estilo de vida. Portanto, devo adorar a Deus desde a hora que acordo até a hora que vou dormir, e inclusive meu sono deve ser revestido de adoração a Deus.

Gostaria, contudo, de destacar três aspectos de uma vida de adoração. O primeiro deles nos é apresentado no Salmo 66:4 onde lemos: “Toda a terra te adorará e te cantará louvores; eles cantarão o teu nome”. Adorar envolve cantar louvores a Deus. A música, sem dúvida, é uma maravilhosa forma de adorar o criador. Quando nos reunimos em congregação e entoamos músicas ao nosso Deus, quando ouvimos um lindo hino executado por uma orquestra, solista, grupo, enfim, podemos adorá-lo com todo nosso coração.

Devemos estar atentos para que a nossa música esteja de acordo com a vontade de Deus expressa em Sua palavra. O critério para que escolhamos as músicas de adoração na igreja não deve ser o que EU gosto, mas o que DEUS gosta, pois, “A música, quando não abusiva, é uma grande bênção; mas quando usada erroneamente, é uma terrível maldição”(O Lar Adventista, 408). Analisemos com cuidado os textos inspirados para que possamos utilizar a música sempre sob a vontade de Deus.

Um segundo aspecto da adoração que gostaria de destacar está explícito em Gênesis 22:5: “E disse Abraão a seus moços: Ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o mancebo iremos até lá; depois de adorarmos, voltaremos a vós”. Adorar envolve entrega total. O contexto do versículo anterior é o momento no qual Abraão estava subindo o monte para sacrificar seu filho Isaac. Como pode haver adoração em uma situação como aquela? A adoração consistia no ato de se submeter à vontade de Deus irrestritamente. Há algo que precisamos pensar a respeito daquela ocasião. Abraão não compreendia tudo a respeito da ordem que Deus havia dado, mas adorar a Deus é obedecê-lo mesmo quando não entendemos tudo a respeito do que Ele nos pede.

Quero ainda destacar um terceiro aspecto da adoração. Deuteronômio 26:10 nos diz: “E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás”. Adorar envolve fidelidade nos dízimos. Não há dúvida de que o texto de deuteronômio faz uma ligação íntima entre a fidelidade nos dízimos e a adoração a Deus. Existem declarações bíblicas claras a respeito da devolução dos dízimos e do ato de ofertar. Infelizmente, alguns cristãos têm resistido a este ensinamento divino. Criam suas próprias teorias sem embasamento bíblico e desviam o destino do dízimo e as vezes nem o devolvem. Ambas as ações são contrárias às romendações bíblicas, tornam o cristão um ladrão e o privam de bênçãos, de acordo com o que diz Malaquias 3:8 a 11.

Uma vida de adoração, portanto, é um dos aspectos do temor ao Senhor.

Amar a Deus

Temer a Deus envolve um segundo aspecto da vida cristã. Envolve amar a Deus. Falar de amor nos dias em que vivemos pode nos fazer ter uma concepção errada. O amor, infelizmente, se tornou um sentimento banalizado. Em qualquer relacionamento curto e superficial tem se usado a palavra amor. Mas o amor a Deus envolve compromisso e é mais que um sentimento. Amar a Deus nos leva a ação.

Um primeiro aspecto do ato de amar a Deus que gostaria de destacar é o que está contido em Deuteronômio 11:13: “[...]amar ao Senhor teu Deus, e o servir de todo o teu coração e de toda a tua alma”. Precisamos amar a Deus sem restrições, com tudo que temos e somos. As vezes isso não é fácil porque envolve abrir mão das coisas que gostamos em prol das coisas que Deus gosta.

Outra faceta do amor do homem para com Deus está em Deuteronômio 11:22: “[...]e andardes em todos os seus caminhos,[...]”. Andar nos caminhos de Deus requer submissão, porque nem sempre os caminhos de Deus são os nossos caminhos e quando não há a coincidência precisamos ser humildes o sufuciente para aceitarmos a vontade de Deus.

Em Deuteronômio 11:1 lemos: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus, e guardarás as suas ordenanças, os seus estatutos, os seus preceitos e os seus mandamentos, por todos os dias”. Amor e obediência aos mandamentos são coisas inseparáveis do ponto de vista bíblico. Encontramos esta mesma idéia em várias passagens bíblicas (ex. Dt. 31:12,13). A mais clássica, sem dúvida, foram as palavras pronunciadas pelo próprio Senhor Jesus em João 14:15: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”. Lemos ainda em 1João 5:2 : “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”. Portanto o amor a Deus envolve estrita obediência a todos os Seus mandamentos, lembrando que “qualquer que guardar toda a lei, mas tropeçar em um só ponto, tem-se tornado culpado de todos”(Tiago 2:10).

Temer a Deus, portanto, implica em amá-lo irrestritamente e amá-lo significa obedecê-lo, muitas vezes sem entender todos os aspectos do que Ele nos pede.

Serviço a Deus

Ainda há um terceiro aspecto do temor a Deus que precisamos conhecer. Lemos em Deuteronômio 10:12: “Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus requer de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma”. E o verso 20 complementa: “Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, e a ele te apegarás, e pelo seu nome jurarás”.

O Serviço é uma característica da vida de um cristão que teme a Deus. Infelizmente é comum vermos membros de igreja que a única atividade religiosa que exercem é sair de casa, ir até a igreja e “assistir” ao culto. Não são ativos na causa de Deus. É certo que nem todos estarão nos púlpitos pregando. Deus deu diversos dons à sua igreja e cada membro deve trabalhar de acordo com os dons recebidos. Ninguém ficou sem receber pelo menos um dom.

Porém, todos os dons devem ser usados para a pregação do evangelho. Cristão que de alguma forma não serve a Deus na pregação do evangelho, não pode afirmar que teme a Deus, pois o temor envolve serviço ativo na causa de Deus.

Conclusão

Quando eu era criança, estudava em uma escola que tinha um espaço muito grande. Tão grande que para percorrer toda sua extensão de forma rápida era necessário um carro.

Meus colegas tinham mania de pegar caronas nas Kombis que diariamente passavam na frente do prédio de aulas.

Minha mãe sempre me advertia a não pegar estas “caronas”, pois eram perigosas e eu, por respeitar (temer) minha mãe, realmente evitei por algum tempo. Até que um dia resolvi pegar a carona. O resultado, já anunciado previamente por minha mãe, foi que eu caí, quebrei dois dentes e quando cheguei em casa ainda tive que conter as lágrimas e contar o que tinha feito para minha mãe.

Naquele dia, embora disesse que respeitava minha mãe, agi como quem não respeita, pois respeito é muito mais que falar, é comprometer-se e obedecer.

As vezes agimos semelhantemente com Deus, dizemos que o tememos, mas na prática as evidências são de que não O tememos.

Precisamos da proteção de Deus para que estejamos a salvo das investidas de Satanás. Esta proteção está prometida para todos os que O temem, ou seja, para todos que o adoram, amam, obedecem e O servem.

Deus convida a cada um de nós hoje para que abramos nosso coração e deixemos que Ele nos ensine o que é o verdadeiro temor a Deus.

Felippe Amorim

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