Maria na Bíblia

Maria na Bíblia

Recebi por e-mail, de uma amiga telespectadora, essa charge católica em que Maria supostamente se defende dos argumentos protestantes contra sua veneração. Na referida charge, irmãos católicos argumentam que a Bíblia faz referências à Maria e que, portanto, há motivos bíblicos para reverenciá-la.

Porém, a questão não é se ela está ounão na Bíblia, mas se Maria é mencionada nas Escrituras como sendo digna de ser venerada.

Partindo da pergunta correta (“Maria é mencionada como sendo objeto de veneração?), percebemos que realmente ela é citada na Palavra de Deus, porém, os textos que a mencionam deixam claro que, mesmo sendo uma pessoa especial por ter sido escolhida divinamente para abrigar no ventre a Segunda Pessoa da Divindade, ela não é objeto de culto. Afinal, a mãe de Jesus não possui função de interceder pelos pecadores (veja-se 1 Timóteo 2:5). A Bíblia também nos mostra que Maria não foi para o Céu com Ele por ocasião da ascensão do Salvador. Vejamos:

“Eles sempre se reuniam todos juntos para orar com as mulheres, a mãe de Jesus e os irmãos dele” (Atos 1:14, Nova Tradução na Linguagem de Hoje).

Perceba que o costume de Maria em reunir-se para orar com os demais seguidores de Cristo se perpetuou depois da ascensão dEle, mencionada em Atos 1:9-11 (alguns versos antes). Por isso, esse versículo (Atos 1:14), utilizado pelos católicos na referida ilustração para justificar a veneração a Maria, é um “tiro no próprio pé”. Afinal, Atos 1:14 não dá margens para crermos na ascensão de Maria.

 

Em relação aos demais textos utilizados, uma simples leitura destes versículos revela que eles foramdescontextualizados para dizerem aquilo que o catolicismo quer que eles digam. Todavia, devemos permitir que a Bíblia fale por si mesma, segundo os próprios critérios interpretativos dela, de maneiraindependente de nossas crenças e pressupostos religiosos.

Analisarei com você brevemente o que cada texto usado na charge realmente diz sobre Maria:

Lucas 2:41-52 – Obviamente, ao mencionar esse trecho do evangelho de Lucas, os irmãos católicos corretamente alegam que Jesus foi submisso à Maria. Porém, precisamos atentar para o tipo de submissão que Ele tinha para com ela. Uma simples leitura revela que não era uma submissão hierárquica, como se ela fosse objeto de veneração, mas, uma submissão de filho para com a mãe.

Além disso, o próprio texto afirma, na Nova Versão Internacional, que Jesus não era obediente apenas à Maria, mas, também a seu pai (humano), José. Se a submissão de Jesus a Maria indicasse que ela possui alguma hierarquia entre as pessoas da divindade, o mesmo significaria em relação a José, pois, Jesus era submisso e obediente também a ele. Com isso, arrumaríamos “argumentos” até mesmo para a veneração do pai humano de Jesus.

Caso a submissão de Cristo a Maria fosse algo tão sério como alega o catolicismo, a ponto de torná-la intercessora da humanidade, Jesus não teria, respeitosamente, pedido a Sua mãe para não se intrometer em assuntos que eram apenas da alçada dEle:

“Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. Mas Jesus lhe disse: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.” (Jo 2:3-4)

O termo “mulher” empregado por Jesus, na cultura da época, era uma forma de chamar a mãe de “madame”, diríamos assim. Por isso, a alegação de desrespeito à Maria por parte de alguns protestantes é insustentável.

Também é importante destacar que em Lucas 1 (outro capítulo mal-interpretado pela charge católica), Maria, “bendita entre as mulheres” (Lc 1:42) por ter sido escolhida para ser a mãe do Salvador, reconhece a si mesma como uma pecadora: “e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.

Dessa maneira, o papel de intercessão atribuído a ela, além de contradizer abertamente a 1 Timóteo 2:5, é algo totalmente contrário ao que ela mesma pensava a respeito de si. Não tenho dúvidas de que após a volta de Cristo, quando os filhos de Deus de todas as épocas estiverem reunidos, Maria ficará muito chateada por terem lhe dado funções que ela nunca sonhou para si, contradizendo assim tudo aquilo que ela aprendeu na cultura hebraica sobre a adoração ou veneração ao único Deus de Israel (cf. Dt 6:4).

Em João 2:5 encontramos o que podemos chamar de “o mandamento de Maria”. Nesse verso ela recomenda que as pessoas façam tudo o que Ele – Jesus – disser. Não incentivou em momento algum a obedecê-la, nem mesmo sugeriu que ela fosse a “intercessora” da humanidade diante Cristo. Seria importante que os irmãos e teólogos católicos deixassem Maria falar por si, ao invés de colocarem palavras em sua boca.

João 19:26, 27 –  Bem diferente do que alega a referida charge, nesse texto Jesus não entrega Maria para ser mãe da humanidade, mas, para ser cuidada pelo “discípulo a quem ele amava”. No próprio verso 27 fica claro esse propósito do Salvador: “… Daquela hora em diante, o discípulo a recebeu em sua família” (Nova Versão Internacional). Veja que o verso sequer insinua que João entendeu que Maria deveria ser recebida como “Mãe da humanidade”. Apenas como membro da família do apóstolo. Isso possivelmente porque Jesus era filho único de Maria e, seus irmãos (cf. Lc 8:19-21; Mt 12:46-50; Mc 3:31-35), filhos apenas de José de um primeiro casamento.

Apocalipse 12:1[1] – Estudiosos católicos alegam que essa passagem se refere à ascensão de Maria e que, portanto, Apocalipse 12 a qualifica como a “Rainha do Céu”. Porém, “essa linha de interpretação falha em não reconhecer a natureza simbólica do livro do Apocalipse”[2].

Quando analisamos todo o capítulo, vemos que João não tinha em mente a mãe de Jesus quando mencionou a “mulher vestida de Sol”. Especialmente os versos 5 e 6 são fundamentais para a correta compreensão do pensamento do apóstolo.

O verso 5 diz: “Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro. Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono”.

Qualquer leitor pode compreender que não foi Maria a pessoa a ser arrebata, mais sim o “filho”: Jesus Cristo. Não é correto ler o texto e dar a ele o próprio ponto de vista para defender que Maria é a “Rainha do Céu”. Quem foi arrebatado ao trono e se tornou o “Rei do Céu” foi Jesus, não ela. E não poderia ser diferente porque “… abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (At 4:12).

Além disso, a Bíblia é clara em afirmar que apenas Jesus se encontra à destra do Pai: “O Filho brilha com o brilho da glória de Deus e é a perfeita semelhança do próprio Deus. Ele sustenta o Universo com a sua palavra poderosa. E, depois de ter purificado os seres humanos dos seus pecados, sentou-se no céu, do lado direito de Deus, o Todo-Poderoso.” (Hebreus 1:3, Nova Tradução na Linguagem de Hoje)

Por sua vez, o verso 6 nos impede de aceitar que a nobre mãe de Jesus faça parte dessa profecia do livro do Apocalipse. Leiamos: “a mulher fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali a sustentassem durante mil duzentos e sessenta dias”.

Estudiosos que interpretam as profecias utilizando o princípio dia-ano (cf. Nm 14:34; Ez 4:5, 6) compreendem que os 1260 dias de Apocalipse 12:6 se referem a 1260 anos de perseguição contra a igreja – a mulher (esse texto é paralelo a Daniel 7:25). Em profecia, “mulher” representa o povo de Deus ao longo da história (ver Mq 4:9-5:4; Is 9:6; 7:14; 26:17; 66:7-8).

Por isso, a “mulher” se refere primeiramente a Israel que deu a luz o Messias, trazendo-o para todos nós (cf. Rm 9). Refere-se também à Igreja, que prosseguiu na missão de levar o Messias ao mundo. Logo, a “mulher” representa o povo de Deus em suas duas fases: Israel e Igreja (veja os textos de 2Co 11:2 e Ef 5:25-32, onde “mulher” representa a igreja no Novo Testamento).[3]

Portanto, os 1260 anos de perseguição no período medieval contra a igreja cristã, que foi de 538 a 1798 d.C, é o evento histórico para o qual João apontava. Maria não viveu tudo isso e, portanto, jamais poderia estar sendo mencionada nessa profecia! Apocalipse 12 é uma profecia escatológica, ou seja: se refere aos últimos acontecimentos e se encontra num período histórico bem posterior à Maria, mãe de Jesus.

Há outro aspecto que devemos considerar: a mulher de Apocalipse 12 é mencionada novamente em Apocalipse 17 como sendo a “grande prostituta”. Isso jamais poderia se referir à Maria. As mulheres de Apocalipse 12 e 17 representam a mesma igreja em duas fases: de pureza doutrinária (mulher vestida de Sol) e de apostasia (prostituta e embriagada com o sangue dos mártires, mortos na Idade Média. Veja-se Apocalipse 12:6).

Se em Apocalipse 12 a “mulher vestida de Sol” representasse Maria, obrigatoriamente, por questões exegéticas (de interpretação) ela deveria ser representada pela “grande prostituta” de Apocalipse 17. Isso seria uma aberração, uma heresia e uma afronta à tão nobre mulher[4] que nem está presente entre nós para poder se defender.

Considerações finais

Veja o perigo de tirar um texto de seu contexto, como o fez o autor dessa charge católica. Ele cria problemas interpretativos muito sérios, que comprometem a fé até mesmo dos sinceros e devotos irmãos católicos apostólicos romanos.

O “Está Escrito” e o “Assim Diz o Senhor” nunca devem ser colocados em uma posição de inferioridade em relação ao “Assim Diz a Igreja”. A Bíblia não deve ser interpretada à luz da Igreja e sim a Igreja deve formular suas doutrinas tendo como base as Escrituras.

A Igreja Católica Apostólica Romana necessita, com urgência, apoiar a própria teologia na Palavra de Deus, ao invés de se apoiar na Tradição eclesiástica (leia Mt 15:3, 9). Fazer o contrário (interpretar a Bíblia segundo a Tradição) é trazer sobre si e aos membros da referida denominação sérios prejuízos espirituais, que terão consequências eternas.

Que todos nós, protestantes ou católicos, sejamos como os crentes de Beréia na maneira de avaliamos os ensinos religiosos que nos são transmitidos no púlpito ou na missa:

“Os bereanos eram mais nobres do que os tessalonicenses, pois receberam a mensagem com grande interesse, examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo era assim mesmo” (At 17:11, Nova Versão Internacional).

 

 

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[1] Para uma análise mais ampla de Apocalipse 12, bem como dos detalhes da visão e as conexões que há entre Apocalipse 12 e Gênesis 3:15, mostrando que João inspira sua visão primeiramente na primeira luta entre o bem e o mal ocorrida no Éden entre Eva e Satanás, veja-se Rodrigo P. Silva em “Comentário Gramático Histórico do Apocalipse” (Engenheiro Coelho, SP: Faculdade Adventista de Teologia, 2013), p. 146 e 147. Ver também Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ: Commentary on the Book of Revelation (Berrien Springs, MI: Andrews University Press, 2009), p. 373-406.

[2] Stefanovic, Commentary on the Book of Revelation…, p. 386.

[3] Rodrigo P. Silva, “Comentário Gramático Histórico do Apocalipse”. (Engenheiro Coelho, SP: Faculdade Adventista de Teologia, 2013), p. 146. Anotações para acompanhamento de classes.

[4] Uma resposta à alegação católica de que Maria foi virgem por toda sua vida poderá ser encontrada no livro Na Mira da Verdade, vol. 2, págs. 74-76. Para maiores informações acessewww.leandroquadros.com.br/livros

Fonte: Na Mira da Verdade

AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E A TRANSFUSÃO DE SANGUE

A doutrina de que Deus veda e abomina uma medida eficacíssima de salvar vidas humanas, a transfusão de sangue humano, é relativamente nova na sistemática jeovista. Russell jamais pensou nela. Rutherford, idem. Mas logo após a morte do “juiz”, ocorrida em janeiro de 1942, já nos corredores da sede da Sociedade Torre de Vigia se cochichava alguma coisa a respeito da transfusão de sangue. Era ainda uma coisa vaga, que só três anos mais tarde assumiria definitivamente foros de doutrina a ser finalmente incorporada pela organização.
Sob a direção de Nathan Knorr, os “doutores da lei” do neorusselismo, a princípio timidamente, começaram a propalar a grande “descoberta”: a transfusão de sangue é proibida pela Bíblia. E sem levar em conta o fato indisputável de que a Bíblia nem toca neste assunto, totalmente desconhecido nos tempos bíblicos, a revista The Watchtower (A Torre de Vigia), em sua edição (em inglês) de 1° de julho de 1945, pela primeira vez anunciou, num artigo intitulado “A santidade do sangue”, que “a transfusão do sangue humano constitui violação do concerto de Jeová, ainda que esteja em jogo a vida do paciente”.
O pensamento jeovista sobre este assunto baseia-se unicamente numa interpretação errônea, livre, extra-contextual e inteiramente descabida das regras do sacerdócio levítico pertinentes ao sangue sacrifical dos animais. Citam livremente os versículos, sempre isolados do contexto, sempre separados do assunto a que se prendem.
Os textos mais usados são os seguintes:
Gênesis 9:4 – “Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.” Quem disse aos jeovistas que isso se refere à transfusão de sangue? Após o Dilúvio, não havendo ainda vegetação suficiente para alimento, Deus diz a Noé que, naquela contingência, podia usar alimentação cárnea, porém com o cuidado de tirar-lhe previamente o sangue. Não há aí nenhuma alusão, nem remota, ao sangue humano, e muito menos se refere a transfusões. O assunto é carne de animais. O assunto é alimentação por via oral. É comer, digerir, alimentar-se.
Levítico 3:17 – “Estatuto perpétuo será durante as vossas gerações, em todas as vossas moradas: gordura nenhuma nem sangue jamais comereis.” Primeiramente o adjetivo “perpétuo”, empregado no hebraico, é holam, e significa duração enquanto durar o fato a que se junta. As festas judaicas, luas-novas, páscoa, o sacerdócio arônico, etc., também eram “estatuto perpétuo”, mas não se celebram mais. Em segundo lugar, a proibição, no texto em tela, também se aplica ao consumo de gordura animal, e os jeovistas ainda não resolveram inventar um dogma sobre isso, para serem coerentes. Em terceiro lugar, o texto acima se refere a ofertas queimadas, e a parte dela que devia ser comida, com exceção da gordura e também do sangue. Essas razões serão explicadas mais adiante, mas o assunto ainda é alimentação via oral, e pertinente à carne, gordura e sangue de animais. Nada de humano. Nada de transfusão. Leia os versículos anteriores, com isenção de ânimo, e você terá o sentido exato. Para que distorcer?
Levítico 7:27 – “Toda Pessoa que comer algum sangue, será eliminada de seu povo.”
Por que as testemunhas não apresentam o contexto? O versículo anterior dá claramente que é sangue de animais: “Não comereis sangue em qualquer das vossas habitações, quer de aves, quer de gado.” Não há a menor referência a sangue humano, e obrigar a significar transfusão é afirmar que minha avó é bonde elétrico! O assunto é alimentação por via bucal, refere-se a comer e digerir, e não a sangue transfundido.
Levítico 17:10, 11 e 14 – “Qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra ele Me voltarei e o eliminarei do seu povo.” “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida.” “Porquanto a vida de toda carne é o seu sangue; por isso tenho dito aos filhos de Israel: Não comereis o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda a carne é o seu sangue; qualquer que o comer será eliminado.” As testemunhas costumam disparar estes três versículos juntos, e com muita ênfase, para tentar provar a tese contra a transfusão sangüínea, mas com deliberada má fé, porque omitem o contexto. Porque pulam exatamente o versículo 13 que esclarece: “Qualquer homem que caçar animal ou ave que se come, derramará o seu sangue, e o cobrirá com pó.” Aí está o sentido correto. É simplesmente o que a Bíblia diz. A Bíblia em lugar algum se refere a comer sangue humano, e isso porque não havia canibalismo entre os israelitas. A lei de Deus tem um mandamento “Não matarás”, no qual incorre inclusive quem permite que outros morram quando pode salvar-lhes a vida, como no caso da transfusão de sangue. Deus abominava e abomina a antropofagia. “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu.” Gên. 9:6. Aqui se refere ao homicídio e não às transfusões. Deus proíbe sacrificar pessoas a Moloque (Lev. 20:1-5). Portanto, todos os sacrifícios abonados por Jeová eram de animais, e o sangue desses animais não devia ser ingerido como alimento.
Levítico 19:26 – “Não comereis coisa alguma com sangue.” A ordem é nãocomer carne com sangue. Carne de animal. Não há referência a transfusões.
Atos 15:20, 29; 21:25 – São três versículos do Novo Testamento, idênticos na enunciação “que se abstenham (…) da carne de animais sufocados e do sangue.” “Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados (…).” “Quanto aos gentios que creram (…) que se abstenham das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne das animais sufocados (…).” Será que Tiago, na primeiro verso, estava aconselhando os cristãos a que se abstivessem de comer sangue humano? Se foi assim, então havia canibalismo ou antropofagia na igreja primitiva. A referência, nos três versos, é à carne animal, comida como alimento. Sempre evitar de ingerir o sangue.
Por aí se verifica que tudo resulta de falsa interpretação de textos que se relacionam com carne de animais. É verdade que Deus proíbe comer o sangue, bem como a gordura dos animais. Que razão havia para isso? Vamos dar a palavra a um cientista de renome e cristão, o Prof. Flamínio Fávero. Diz ele:
“1. Fundamentalmente [não se deve comer sangue] para inspirar ao homem o respeito pelo sangue. É prescrição, assim, de caráter moral. Pelo sangue se respeita a vida, de que o mesmo é símbolo e até sede… Quando se toma um animal morto violentamente, escorrendo sangue, tem-se a impressão de que a vida ainda lateja naquela carne quente, e que essa vida se extingue justamente quando se for a última gata de sangue. O corpo humano tem grande porção de sangue, cerca de 1/13 do seu peso, ou seja, cinco litros para um peso de 65 quilos. Quando aberto um vaso, há hemorragia, e a morte sobrevém desde que a metade desse líquido se perca. Pelo mecanismo chamado dessangramento processa-se uma anemia aguda, de graves conseqüências, que apenas uma injeção de outro sangue, de tipo adequado, pela transfusão, pode combater.
“O sangue é a vida… E é pela circulação desse líquido que se realizam todas as trocas vitalizadoras nos lugares mais distantes e escondidos da economia orgânica. Bem cabe ao sangue, pois, a sinonímia que a Bíblia lhe empresta, de vida. (…) Enquanto tiverem [os animais] sangue têm resquícios de vida. E a vida não nos pertence, não é nossa…
“2. Em paralelo com essa prescrição de caráter eminentemente moral, que apela para o respeito ao sangue, está outra de aspecto higiênico. (…) A quebra de preceito de higiene pode redundar em males gerais e individuais e, neste último caso, quando são capazes de atingir-nos, lembramo-nos de evitá-los. (…) O sangue não deve servir de alimento, porque é bastante indigesto, pelas albuminas bem resistentes dos seus glóbulos vermelhos e, ainda, pelo teor elevado de pigmento ferruginoso que os mesmos contêm. É desse pigmento, a hemoglobina, que deriva a cor vermelha especia1 que caracteriza o sangue dos mamíferos. E conforme a sua pobreza no mesmo, fala-se em maior ou menor grau de anemia, necessitando ser tratada por medicamentos contendo ferro ou que facilitem a sua fixação adequada.
“Como se não bastasse ser indigesto, o sangue se corrompe facilmente, putrefazendo-se. Basta sair dos vasos que o contém, para coagular-se, dividindo-se em uma parte sólida – o coalho – e outra líquida – o soro. E então, não tendo mais vida, os germes putrefativos invadem, transformando-o inteiramente, dando-lhe aspecto e cheiro repelentes. Compreende-se logo o que vai de perigoso no uso de alimento corrompido, cheio de toxinas venenosas, que causam grave dano à saúde e até a morte. Daí a sabedoria da Bíblia, mandando derramá-lo na terra, que o absorve. (…)” – Extraído do artigo “Não comereis o sangue de qualquer carne”, Fé e Vida, março de 1939, págs. 16 e 17.
Falou a ciência autorizada. Uma coisa é alimentar-se, por via oral, do sangue de animais, que não deve passar pela química digestiva, tal o perigo que oferece à vida; e outra muito diferente é renovar a corrente circulatória, com o mesmo elemento que a compõe, depois da classificação técnica do tipo sangüíneo, repondo o sangue perdido, evitando a morte do paciente.
Quando ocorre uma transfusão, não se trata de comer sangue humano, nem de alimento, mas de reabastecimento circulatório, uma dádiva feita num espírito de misericórdia e caridade. As estatísticas da Cruz Vermelha, por exemplo, atestam que milhões e milhões de vidas preciosas foram salvas pela transfusão. Ao passo que, por outro lado, quantas vidas são ceifadas por falta de uma transfusão.
A Bíblia diz: “Não matarás.” Negar por vontade própria a transfusão salvadora, é matar, é transgredir a lei de Deus! E disse Jesus: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos.” João 15:13. E a vida é o sangue porque o sangue é a vida!
Quem quer que leia os Evangelhos, com espírito contrito, sem pensar nas extravagantes interpretações das “testemunhas de Jeová”, ficará impressionado com a atitude de Cristo em face do sofrimento alheio. Compadecia-Se dos doentes, curava-os, confortava-os onde os encontrasse. E nós, como servos Seus, como Suas testemunhas, devemos ter o mesmo espírito para com os doentes. Lemos em I João 3:16 que “devemos dar a vida pelos irmãos”.
As “testemunhas de Jeová” não mantêm nenhum hospital, nenhuma instituição de assistência social. Dizem que a missão deles é restaurar o nome de Jeová e não fazer caridade. Que a melhor caridade é fazer prosélitos. Mas quando está em jogo a vida humana, se depender de uma transfusão de sangue, não a aceitam nem a dão, e… que morra o paciente! Para eles a lei “Não matarás” foi abolida!
(Extraído do livro Radiografia do Jeovismo, de Arnaldo Christianini – CPB)

A Lei e o Evangelho estão de mãos dadas

Um amigo internauta chamado Davi, após acessar meu site www.leandroquadros.com.br , fez as seguintes observações:

“Prof. Leandro Quadros: alguns blogs têm surgido contra o adventismo e pregado contra a Lei de Deus [...] Eles dizem que a lei foi abolida e trazem justificativas aparentemente novas, e que até parecem verdadeiras. [...] Afirmam que a Lei e a graça são totalmente contrárias. Logo, se cremos em um, não podemos crer no outro. No caso da lei e do sábado, ao mostrarmos versos que provam ser o sétimo dia ainda importante para nossa experiência cristã, dizem que o nosso descanso atual é Cristo. Como posso responder a esses críticos?” (Adaptado).

A seguir, minha breve resposta dada a ele, e que compartilho com você aqui no blog do programa “Na Mira da Verdade”:

Tais críticos fazem uma falsa dicotomia entre a Lei e o Evangelho. Podemos provar isso (claro: muitos são teimosos e rebeldes e não aceitam) lendo apenas alguns textos, na seguinte linha de raciocínio:

1º) Em Romanos 3:19, 20 Paulo diz que não somos salvos pela lei porque a função dela é nos dar conhecimento de que somos pecadores. Essa função da lei é novamente apresentada pelo apóstolo em Romanos 7:7.

2º) Em complemento a isso, Paulo diz em Romanos 7:12 que a Lei é “santa, justa e boa”, ou seja: ela reflete o caráter de Deus, seu Legislador (Is 33:22): um caráter santo, justo e bom.

3º) Já em Romanos 7:14, ele afirma que a lei é “espiritual”. Isso significa que ela é de origem divina. Desse modo, a lei deve ser observada espiritualmente, pela fé (Rm 1:5 e 16:26) e jamais como um “meio” de salvação (Ef 2:8-9; Gl 3:1-3).

Agora, veja como a Lei e o Evangelho estão de “mãos dadas”:

É a partir do momento em que contemplamos a lei e vemos o quanto somos pecadores por não conseguirmos viver 100% dentro dos padrões dela, é que sentimos a necessidade de um Salvador, que é Cristo – e mais ninguém! (At 4:12). Se tirarmos a Lei de nossa experiência cristã, não teremos aquele “espelho” que mostra nossa condição pecaminosa para que corramos para os braços de Jesus – o único que pode “nos limpar” por Sua graça e Justiça (Rm 3:25, 26).

Além disso, se a Lei tivesse sido abolida, a cruz perderia todo o sentido. Afinal, Cristo teria morrido para pagar o quê? Por qual pecado Ele teria morrido se não houvessem padrões morais que tivessem sido transgredidos pela humanidade? Como bem disse Paulo em Romanos 5:13: “o pecado não é levado em conta quando não há lei”. Sendo que há pecado, isso prova que existe uma Lei que é transgredida e pela qual o próprio Deus pagou para nos dar a vida eterna em Cristo!

A respeito desse assunto, assim se posicionou uma Bíblia de Estudo evangélica (de não observadores do sábado), em uma nota de rodapé a respeito de Romanos 3:31:

“As leis morais de Deus não são abolidas pelo evangelho de Cristo. Ao invés disso, todo o plano de salvação, incluindo a obediência de Cristo à Lei por nós e sua morte para pagar a penalidade por termos violado a Lei, mostra que os padrões morais de Deus são eternamente válidos.” (Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2001, p. 1155).

Percebeu a incoerência dos críticos em tentarem anular a Lei de Deus, ainda mais tendo em vista as palavras de Jesus em Mateus 5:17-19?

Desse modo, o fato de o sábado ser um símbolo do descanso espiritual que desfrutamos em Jesus todos os dias (Hb 4) em nada afeta o mandamento. Continuamos tendo essa obrigação moral e espiritual para com Deus (Ex 20:8-11; compare com Ap 14:6, 7 e 12) como sinal de nossa aliança de amor e respeito a Ele (Ez 20:12, 20, 21).

Prova disso encontramos em Hebreus 4, onde o autor, para nos impulsionar a descansarmos em Jesus, utiliza-se do sábado e não do domingo para ilustrar o descanso em Cristo, pela fé nEle.

Se o domingo tivesse sido usado como símbolo do repouso espiritual, teríamos de concordar com os críticos. Porém, esse não é o caso e, por isso, eles precisam ser humildes em reconhecer que estão errados em ensinar a abolição da lei, permitindo que o Espírito ilumine a mente deles. Não tenho dúvidas de que a oração do Salmo 119:18 deveria fazer parte da rotina espiritual dos antinomistas (que são contrários à nomos – o mesmo que lei, quando traduzido do grego para o português):

“Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.”

Espero que essas breves considerações o tenham ajudado. Para se aprofundar mais no assunto recomendo a leitura do excelente capítulo escrito por Mário Veloso no Tratado de Teologia Adventista do Sétimo Dia (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2011, p. 510-548), intitulado “A Lei de Deus”. O 14o capítulo, intitulado “O Sábado” (p. 549-597), escrito por outro grande teólogo, Kenneth A. Strand, também apresenta a doutrina do sábado de maneira profunda, cristocêntrica e irrefutável.

Um abraço e que Deus lhe abençoe e guarde amigo leitor.

Leandro Quadros

Fonte: www.leandroquadros.com.br

O jugo desigual na Bíblia

Depois da queda da raça humana, Deus colocou em ação o plano de restauração, para que novamente cada pessoa pudesse receber a vida eterna e a pureza de todas as faculdades (física, mental e espiritual).

Por outro lado, Satanás também desenvolve o “plano da perdição”, para afastar cada vez mais a criatura do criador.

A primeira grande empreitada do diabo contra a raça humana está descrita em Gênesis 6:2: “… vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhe agradaram”.

O namoro e casamento dos filhos de Deus (descendência de Sete e Enos) com as filhas dos homens (descendentes de Caim) trouxe como conseqüência a corrupção do gênero humano: “Então, disse o Senhor: O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal…” (Gen. 6:3).

Este foi o grande pecado que desencadeou a maior desgraça humana, ao ponto de lermos na Bíblia: “se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou o coração” (v. 6).

Deus infelizmente teve que destruir a humanidade que se agarrou ao pecado.

Depois do dilúvio novamente há um povo separado, são os que aceitam fazer a vontade de Deus e testemunhar do Seu amor.

Este povo agora tem um nome: Israel. Depois de serem libertados do Egito, em direção a uma terra prometida por Deus, novamente Satanás procura destruí-los.

Depois de tentar amaldiçoar a igreja de Deus três vezes por meio de Balaão, o inimigo de Deus executa sua grande estratégia infalível: “jugo desigual”.

“Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas” (Num. 25:1). Daí começa a idolatria do povo. Resultado: vinte e quatro mil mortos pelo castigo divino!

Agora na terra prometida novamente a história se repete: “Habitando, pois, os filhos de Israel no meio dos cananeus… tomaram de suas filhas para si por mulheres e deram as suas próprias aos filhos deles; e rendiam culto a seus deuses” (Juízes 3:6).

Sansão, o homem mais forte do mundo, se torna o mais débil, e de juiz do povo passa a um escravo, quando capturado por essa armadilha maligna: “jugo desigual”.

Este plano satânico é tão bom, que nem o homem mais sábio do mundo escapou: “Ora, além da filha de Faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas… mulheres das nações de que o Senhor havia dito aos filhos de Israel: Não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguires os seus deuses” (I Reis 11:1 e 2).

É quase inacreditável que o mesmo homem que se tornou rei de Israel e construiu o templo do Senhor “seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos amonitas” (v.5).

Sobre o casamento de Salomão com uma mulher egípcia, note qual o pensamento de Deus: “Do ponto de vista humano, este casamento, embora contrário aos ensinamentos da lei de Deus, parecia provar-se uma bênção; pois a esposa pagã de Salomão se converteu e uniu-se com ele na adoração ao verdadeiro Deus… Fazendo, porém, aliança com uma nação pagã, e selando o pacto pelo casamento com a princesa idólatra, Salomão temerariamente desconsiderou a sábia provisão que Deus fizera para manter a pureza de Seu povo. A esperança de que sua esposa egípcia se convertesse era apenas uma débil escusa para o pecado” (E. G. White, Profetas e Reis, 53 – 55).

Em II Coríntios 6:14-15 lemos: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniqüidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo?”

Deus é bem claro acerca do que pensa sobre este assunto. É expressamente proibido por Ele casamento dos Seus seguidores com incrédulos.

Como pastor gostaria de expressar algumas conclusões sobre este tema:

1- Não é válida a desculpa de que na igreja não há candidato(a) a namoro.

2- O interesse por alguém que não serve a Deus e transgride Seus mandamentos, revela falta de amor e relacionamento íntimo com o Senhor. Quando você ama alguém, terá dificuldades de amar o inimigo dela! Se eu amo a Deus de coração, como vou me apaixonar por alguém que não O serve, não

O obedece e nem O adora? E como eu mesmo O desobedeceria sabendo que Ele não aprova esse relacionamento?

3- Há sinceros que ainda estão fora da igreja e precisam ser descobertos. Todavia, namoro não é um bom método de evangelismo, pois mistura a afeição a Deus com a humana. Se você acha que seu pretendente é um candidato ao reino de Deus, ame-o primeiro como seu próximo e procure levar o evangelho antes de pensar no namoro. O ideal seria orar por ele e conseguir uma outra pessoa (do mesmo sexo e faixa etária se possível) para se aproximar e dar a oportunidade de aceitar a Jesus, através de estudo Bíblico, envolvimento com pequenos grupos, etc.

Namorar antes de fazer isso, ou consciente que a pessoa não está interessada em Jesus, é colocar a vida eterna em risco, e construir um casamento infeliz e desestruturado.

4- Se você já namora um incrédulo(a) darei uma sugestão: dê a ele(a) através de um estudo ministrado por outra pessoa a oportunidade de aceitar Jesus, e depois disso, você já sabe o que deve fazer.

Fui pastor de uma moça que teve a coragem de condicionar o namoro à Palavra de Deus.

Antes de assumir um compromisso sério, apresentou Jesus a seu pretendente por meio de outra pessoa. Todavia, estava segura de que se o rapaz rejeitasse a Deus, ela também o rejeitaria como namorado. A fidelidade dela a Deus foi mais um testemunho a esse jovem, que aceitou a Jesus e já é uma bênção na igreja.

Não troque sua felicidade por desejos humanos! Seja Fiel a Jesus como Ele já foi a você!

PR. YURI RAVEM 

Mestre em teologia e pastor da Igreja Adventista em Sumaré – SP. Casado com Andressa, mestre em educação.

Fonte:http://www.nistocremos.net

Teria Paulo Ensinado que o Sábado foi Abolido?

O que Paulo queria dizer com a expressão: ”Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados” (Cl 2:16)?

Com esse texto, Paulo tinha em vista os gnósticos, hereges dualistas (diziam que a carne é má e o espírito é bom) e sincretistas (misturavam ritos judaicos com a adoração dos anjos). Ensinavam que o mundo material não foi criado pelo grande e verdadeiro Deus, mas por um Demiurgo (o chefe dos Arcontes), um ser imperfeito e limitado em poder e sabedoria. Diziam que Jesus não é o Salvador-Sofredor, mas apenas um Revelador-Iluminador, e que a salvação é obtida pelo conhecimento, ou autoconhecimento, que vem quando a pessoa liberta a faísca divina que recebeu na Criação. (Pfeiffer, C. F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de janeiro: CPAD, 2007, p. 871).

Paulo menciona, nessa mesma epístola, algumas práticas desses gnósticos: “culto dos anjos” (2:18), “aparência de sabedoria, culto de si mesmo, falsa humildade, rigor ascético [desprezo pelo corpo e suas sensações, para possibilitar a vitória do espírito] (2:23), chamadas de “preceitos e doutrinas dos homens” (2:22) – o que não é o caso dos 10 mandamentos, que são preceitos de Deus, escritos com Seu próprio dedo (Êx 31:18).

O problema era que esses hereges estavam se colocando no papel de juízes dos irmãos (Cl 2:16,18,21), em pelo menos duas questões:

1. Comida e bebida - Os gnósticos, com seu rigor ascético, davam muito valor ao jejum, como prelúdio para uma revelação divina (Martin, R. P. Colossenses e Filemom: introdução e comentário. São Paulo: Mundo Cristão, 1973, p. 100).

Acusavam os irmãos de não observarem certas prescrições alimentares. Achavam que comer carne era um tipo de canibalismo, pois acreditavam na transmigração das almas (Martin, R. P, Ibid.).

A expressão “não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro” (Cl 2:21) parece apontar mais para regras ascéticas (confira “rigor ascético” em 2:23), do que para regras mosaicas quanto aos alimentos limpos e imundos (Bacchiocchi, S. From Sabbath to Sunday. Roma: The Pontifical Gregorian University Press, 1977, p. 352,353). O fato é que o ascetismo já estava em curso nos dias de Paulo, com alguns pregando como necessários à salvação o vegetarianismo e a abstinência de vinho (Rm 14:2,21) e a observância de determinados dias (Rm 14:5,6). Além de exigir abstinência de alimentos, chegavam a proibir o casamento ( 1 Tm 4:3).

2. Dias de festa, lua nova, ou sábados - São os feriados e dias santos judaicos, guardados legalisticamente, como meio de salvação, e para aplacar os “poderes astrais”, que, segundo os gnósticos, dirigiam não só as estrelas, mas a vida das pessoas (Bacchiocchi, S. Ibid, p. 361 e Martin, R. P. Colossenses e Filemom: introdução e comentário, op. cit, p. 101).

Esses dias santos envolvem os sábados anuais/cerimoniais das festas, o sábado mensal da lua nova, e o sábado semanal. Paulo não está falando contra a observância desses dias, mas contra os motivos errados em fazê-lo (Martin, R.P. Op. cit., p.101.) Note que Paulo guardou alguns sábados cerimoniais, mas não para merecer a salvação (At 20:16 e I Co 16:8).

“Tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir” (Cl 2:17). Há os que diz em que os “sábados” mencionados em 2:16 são somente os cerimoniais. Basicamente, seu argumento é que nenhum mandamento da lei de Deus é “sombra”, pois não são simbólicos. (Ver Nichol, F. D. Comentário Bíblico Adventista del Séptimo Dia, v. 7.  Boise: Pacific Press Publishing Association, 1990, p. 211.)

A dificuldade com essa interpretação é que, se os “sábados”, em Colossenses 2:16, são somente cerimoniais, a que feriados ou dias santos estaria se referindo a expressão “dia de festa”, mencionada pouco antes, no mesmo verso? Teria Paulo feito uma repetição desnecessária?

Ao que parece, o texto de Colossenses 2:16 refere-se a quaisquer tipos de sábado: anuais, mensais ou semanais. Expressão similar à de Colossenses 2:16 (só que ao inverso) é encontrada em Gálatas 4:10: “Guardais dias [dias santos semanais], e meses [dias santos mensais], e tempos e anos [dias santos anuais]“. O problema era a guarda legalística desses dias, como meio de justificação e salvação.

Quanto à palavra “sombra” (skiá), em Colossenses 2:17, a dificuldade ocorre quando ela é sempre vista em sentido negativo, como algo imperfeito e transitório (como em Hebreus 8:5 e 10:1). É verdade que os ritos judaicos eram “sombras” transitórias, que apontavam para Cristo, e se tornaram sem efeito quando Ele foi sacrificado. Os sábados anuais se cumpriram em Cristo, pois cada festa apontava para algum aspecto dEle e de Seu ministério.

Os sábados da Lua Nova, que, “no judaísmo tradicional, era considerado um Dia menor de Expiação” (rabino Yaacov Farber, em: http://www.cmy.on.ca/Monthly_Newsletter/2005/january2005pt.htm), com toques de trombetas e sacrifícios (Nm 28:11 e 14), também não fazem mais sentido, tendo em vista o sacrifício de Cristo.

Já o sábado semanal não deve ser visto como “sombra” transitória e passageira, mas como “sombra” ou “símbolo do descanso da salvação presente e futura” (Bacchiocchi, S. Op. cit., p. 359), que o crente encontra em Jesus. Esse sentido simbólico do sábado semanal é apresentado em Hebreus 4:3,4,9-11.

Mas, o descanso em Cristo não substitui nem anula o sábado, nem qualquer outro mandamento. Mesmo após se tornar cristão, Paulo continuou guardando o sábado semanal. O livro dos Atos menciona 84 sábados guardados por esse apóstolo (At 13:14,42,44; 16:13; 17:2 e 18:4,11).

Paulo não ensinou a abolição da lei moral, e isso pode ser constatado na própria carta aos Colossenses. Nela, o apóstolo faz alusão a vários mandamentos: ao 7°, em 2:23 e 3:5; ao 1° , 2° e 10°, em 3:5; ao 9°, em 3:8, 9; e ao 5°, em 3:20. E diz que “por estas coisas é que vem a ira de
Deus [sobre os filhos da desobediência]” (3:6). Ora, se a lei moral foi abolida, por que viria a ira de Deus contra os transgressores desses mandamentos? Se Paulo não mencionou o 4° mandamento, foi porque isso não era necessário, uma vez que a igreja já o observava (alguns até fazendo dele um meio de salvação). Paulo também não mencionou nessa epístola o 3°, nem o 6°, nem ainda o 8° mandamentos. Essa omissão, todavia, não significa que eles foram abolidos. Os mandamentos referidos pelo apóstolo devem estar relacionados com problemas que ocorriam entre os irmãos de Colossos. Os não referidos,
provavelmente, não tinham que ver com a situação espiritual deles.

Em conclusão, pode-se dizer que o texto de Paulo em Colossenses 2:16 não é contrário à guarda do sábado semanal, nem está autorizando alimentos que a Bíblia proíbe, mas contra aqueles que se julgavam juízes dos irmãos e faziam dos alimentos e dos dias sagrados um meio de salvação.

Por Ozeas C. Moura, doutor em Teologia Bíblica e editor na Casa Publicadora Brasileira. Publicado na RA de Jan/2009.

Almas dos Mortos Tremendo Debaixo das Águas?

Pelo texto de Jó 26:5, parece claro que temos uma alma que sai do corpo após a morte. É isso mesmo que o texto diz ou haveria alguma outra maneira de entendê-lo?

No original hebraico (já transliterado), o texto de Jó 26:5 está como segue:

HAREPHAÍM YECHÔLALU MITTACHATH MAYIM VESHOKNEHEM.

Sua tradução literal é: “Os refaim estremecem debaixo das águas com seus habitantes.”

Como se percebe, o problema está com o vocábulo harepha’ím, palavra composta com o artigo HA (os) + o substantivo, no plural, REPHAIM (gigantes?).

Numa consulta aos dicionários hebraicos sobre a palavra rephaim, vemos que esta vem do ugarítico rp’i, podendo significar: (1) “mortos” (significado este contestado por estudiosos que o traduzem como “divindades”, “comunidade”, etc), e (2) “gigantes”, isto é, a palavra rephaim era aplicada aos povos pré-semíticos mais primitivos da Palestina, tidos como gigantes por causa da menção à estatura deles em Deuteronômio 2:10,11,20,21, onde é dito que eles ”eram altos como os enaquins”. O interessante é que a Septuaginta (versão grega do Antigo Testamento) também traduz o termo rephaim como “gigantes” (no grego, gigántom), em Josué 12:4; 13:12 e 1 Crônicas 20:4, 6 (cf. Harris, R. L, et. al. Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, p. 1448-1449).

É verdade que, às vezes, o termo rephaim está associado em paralelismo com “morte” (sheol, no hebraico), como se pode ver em Provérbios 9:18 e Isaías 14:9. Porém, o contexto de Jó 25:6 não favorece a idéia de que rephaim signifique ”mortos”; tampouco, “alma dos mortos”. O verso anterior (26:4) fala em “espírito”, mas a palavra hebraica é nishmat, cuja tradução é “fôlego de vida” (sinônima de ruach), como em Gênesis 2:7, ou “ser vivo”, como no Salmo 150:6 (cf. Schôkel, L. A. Dicionário Bíblico Hebraico-Português, p. 455).

Descartado o significado de “mortos”, ou pior ainda, ”alma dos mortos”, para o vocábulorephaim, em Jó 26:5, devemos entender essa palavra como significando “gigantes”, tal como fez a Septuaginta em várias passagens (como mencionadas acima). Esses gigantes, chamados rephaim, antigos habitantes da Palestina (cf. Gn 14:5; Dt 2:11; 3:11; Js 12:4; 13:12; l Cr 20:4), foram extintos por outros povos, incluindo os israelitas.

Porém, mesmo traduzindo-se rephaim por “gigantes”, em Jó 26:5, não podemos pensar que aqueles extintos gigantes estejam tremendo “debaixo das águas com seus habitantes”. Os gigantes que tremem debaixo das águas são os grandes seres que povoam as águas fluviais ou marítimas - ou seja, os grandes peixes dos rios e as baleias, tubarões e outros grandes seres do mar. Dessa maneira, vemos como o termo rephaim, gigantes, passou a representar qualquer ser gigantesco, como as baleias, por exemplo. Assim, em Jó 26:5, o vocábulo rephaim parece se referir aos grandes seres dos rios e do mar, pela razão de “águas” serem mencionadas três vezes no contexto: “… debaixo das águas com seus habitantes” (v. 5), “… prende as águas” (v. 8), e “superfície das águas” (v.10). Além disso, há uma menção explícita ao mar, em 26:12: “Com a Sua força fende o mar, e com o Seu entendimento abate o adversário [rahab, monstro mítico das profundezas do mar]“.

Por aquilo que vimos da análise textual e contextual de Jó 26:5, uma boa tradução para esse verso bíblico poderia ser: “Os gigantes estremecem debaixo das águas com seus habitantes” (entendendo-se “gigantes” como alusão aos grandes seres que povoam as águas). Assim o fez a Bíblia Sagrada, Edições Paulinas (de 1960), que traduziu Jó 26:5 como: “Eis que os gigantes gemem debaixo das águas, e os que habitam com eles.”

No capítulo 26, Jó afirma a soberania de Deus sobre coisas grandes ou poderosas, como os gigantescos seres das águas (v. 5), o além e o abismo (v. 6), o espaço sideral (v. 7), a atmosfera (vs. 8-11), e sobre o mar e os seres que nele habitam (v. 12). Sendo que Deus é soberano sobre as coisas grandes (e também sobre as pequenas), haveria algo difícil para Ele fazer em nosso benefício? Está enfrentando algo difícil em sua vida? Lembre-se de que há um ser grandioso, majestoso, que cuida das gigantescas constelações (Jó 38:31,32), mas também de um pequeno pardal quando este morre, e Se importa com um fio de cabelo que cai de nossa cabeça (Mt 10:29, 30). Já entregou a vida ao Soberano do Universo e aceitou Sua guia? Se já o fez, então está em excelentes e poderosas mãos!

Por Ozeas C. Moura, doutor em Teologia Bíblica e professor de Teologia no Salt - Unasp, Campus Engenheiro Coelho, SP. Publicado na RA de Set/2010.

“Dia do Senhor” (Apoc. 1:10)

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta.”

A expressão grega – Kuriakê hemera – dia do Senhor, não deixa dúvida alguma de que o profeta se refere a um dia de propriedade do Senhor, desde que a vocábulo kuriakê é adjetivo possessivo que está determinando o substantivo hemera – dia, como posse. Em outras palavras, João faz alusão a um dia semanal que, antes da visão, ele considerava como “dia do Senhor” propriedade do Senhor.

Esta expressão aparece apenas uma vez na Bíblia. Em I Cor. 11:20 encontramos uma frase mais ou menos semelhante a esta, referindo-se à Ceia do Senhor –  kuriakón deipnon.

A que dia está se referindo o apóstolo com esta afirmação?

Cinco posicionamentos são apresentados:

1º) Abrangendo toda a dispensação cristã e não qualquer particular dia de vinte e quatro horas.

2º) Uma segunda classe sustenta que se refere ao dia do Juízo.

3º) É uma referência ao dia do imperador.

4º) Um grupo mais numeroso, por óbvias razões, defende ardorosamente que é uma referência ao dia de domingo.

5º) Ainda outra classe mantém o principio, que Kuriakê hemera significa o sétimo dia, o sábado do Senhor.

O Dia da Dispensação Cristã

Há ponderáveis razões para se rejeitar esta interpretação, considerando-se os seguintes fatores:

Segundo o contexto da passagem (Apoc. 1:9-10). Sabemos o lugar da visão – ilha de Patmos; o motivo de estar ali – por causa da palavra do Senhor; sua condição em visão – no espírito, e o tempo especifico do recebimento da visão – no dia do Senhor. Estas circunstâncias nos cientificam de que o dia em que foi dada a visão tem uma existência real e não simbólica ou mística. Os que defendem que significa toda a dispensação cristã lhe atribuem um significado simbólico que não é admissível.

Dia do Juízo

Embora João tivesse tido uma visão sobre o dia do juízo, não poderia ter sido neste dia, porque este ainda estava no futuro.

Esta interpretação não pode ser aceita quando sabemos:

1º) Vincent em Word Studies in the New Testament, vol. II, pág. 425, comentando Apoc. 1:10, assim se expressa:

“Dia do juízo é expresso no Novo Testamento por he hemera tu kuriu – II Tes. 2: 2; ou – hemera kuriu – II Ped. 3:10; ou ainda - hemera christu – o dia de Cristo – Fil. 2:16″.

2º)SDABC (Comentário Bíblico Adventista) comentando esta mesma passagem afirma:

“O contexto nos indica que a expresso ‘dia do Senhor’ se refere ao tempo em que João teve a visão e não ao seu conteúdo”.

3º) A palavra traduzida por em é en, e, quando se refere a tempo, é definida por Robertson nos seguintes termos: “tempo em que, um ponto ou período definido em, durante o qual alguma coisa se realizou”. Nunca significa acerca de, sobre. Assim sendo os que defendem que João estava se referindo ao dia do juízo, estão em contradição com a linguagem usada, querendo que a preposição en (em) signifique acerca, sobre, em vez deen (em), e talvez o pior ainda é que fazem João afirmar uma estranha falsidade, ao declarar que teve uma visão na ilha de Patmos, há aproximadamente dezenove séculos, no dia do juízo, que ainda hoje se encontra no futuro.

Dia do Imperador

A História nos confirma que no Império Romano o Imperador era freqüentemente chamado de Kúrios – Senhor, conseqüentemente todas as coisas pertencentes ao Imperador eram denominadas de Kuriakós = do Senhor.

Isbon T. Beckwith, no livro The Apocalypse of John, pág, 435 nos diz que o primeiro dia do mês era chamado na Ásia Menor – “Dia do Imperador”.

Embora houvesse o “Dia do Imperador” e a expressão “Kuriakós” para designar as coisas pertencentes ao imperador, seria difícil concluirmos que João se estivesse referindo a um dia imperial, quando atentamos para o fato de que ele fora perseguido e estava exilado, na ilha de Patmos, por negar-se a prestar culto ao imperador.

Comentário Adventista pondera muito apropriadamente, ao explicar Apoc. 1:10.

“Parece mais provável que João tenha escolhido a expressão “Kuriakê Hemera“, para designar o dia do sábado, como uma penetrante maneira de proclamar o seguinte fato: Como o imperador tinha um dia devotado a sua honra, assim o Senhor de João, por cuja causa ele agora sofria, também tem o seu dia”.

Dia do Domingo

Este ponto de vista é defendido pela maioria dos comentaristas católicos e protestantes, interessados em justificar pela Bíblia que o domingo é o dia do Senhor.

Será que há provas bíblicas para fazer tal afirmação?

A resposta a esta pergunta apenas pode ser uma forte negação – nem uma prova bíblica jamais foi encontrada neste sentido.

A história eclesiástica nos confirma que os pais da igreja fizeram longo uso da expressão “Kuriakê hemera” para o primeiro dia da semana. Por esta razão muitos estudiosos argumentaram, que Kuriakê hemera, em Apoc. 1:10, também se refere ao domingo e que João não apenas recebeu sua visão naquele dia, mas também o reconheceu como o “dia do Senhor” pelo fato de naquele dia o Senhor haver ressuscitado dos mortos.

Esta argumentação não subsiste quando se pondera o seguinte, de acordo com o SDABC (Comentário Bíblico Adventista), vol. VII, pág. 735:

“Existem razões tanto negativas como positivas para a rejeição desta interpretação. A primeira é o reconhecimento do princípio do método histórico que declara que uma alusão deve ser interpretada somente em termos da evidência que lhe antecede no ponto de vista do tempo, ou que lhe seja contemporânea e não por dados históricos dum período posterior. Este princípio tem um aspecto importante no problema do significado da expressão ‘dia do Senhor’ como aparece na presente passagem. Embora este termo ocorra freqüentemente nos Pais da Igreja sem a significação de domingo, a primeira evidência conclusiva de tal uso não aparece senão na última parte do segundo século, no apócrifo Evangelho Segundo Pedro (9-12; ANF. Vol. 9, pág. 8), onde o dia da ressurreição de Cristo é denominado ‘dia do Senhor’. Desde que este documento foi escrito pelo menos três quartos de séculos ap6s João ter escrito o Apocalipse, ele não pode ser apresentado como prova de que a frase ‘dia do Senhor’ no tempo de João se refere ao domingo”.

O domingo ou primeiro dia da semana é designado no grego neotestamentário pelas expressões – mia ton sabbaton – Mar. 16:2; Luc. 24:1; S. João 20:1, 19; Atos 20:7; I Cor. 16:2 e – prote sabbatu – Marcos 16: 9.

Arnaldo B. Christianini em Subtilezas do Erro, na minuciosa análise histórica e exegética do livro O Sabatismo à Luz da Palavra de Deus de Ricardo Pitrowiski, inseriu um capítulo – “O Dia do Senhor”, do qual destacamos estes pensamentos:

“. . . o fato de um profeta ter visão em determinado dia, não significa que tal dia deve ser guardado. A santidade de um dia repousa em base mais sólida, fundamenta-se num claro e insofismável ‘assim diz o Senhor’.

“A afirmação de que ‘dia do Senhor’ nessa passagem se refira indiscutivelmente ao primeiro dia da semana é baseada em presunção sem nenhum valor probante. O fato de em fins do segundo século da era cristã surgirem escritos aludindo ao primeiro dia da semana como sendo ‘dia do Senhor’, não autoriza a dogmatizar que João também se referia ao domingo”.

O Sábado – O Dia do Senhor

Tendo analisado as quatro posições anteriores, nossa atenção se fixará na declaração de que o sábado é o “dia do Senhor”. Após os seis dias da Criação, Deus reservou o sétimo dia para Si, colocando sobre ele a Sua bênção e reclamando-o como Seu santo dia. Gên. 2:2-3.

A Bíblia está repleta de declarações convincentes de que o sábado é o dia do Senhor, destacando-se entre estas por sua clareza ímpar as seguintes:

a) Êxodo 16:23 – “Amanhã é repouso, o santo sábado do Senhor.”

b) Êxodo 20:8-11 – “O sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. … porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou: por isso abençoou o Senhor o dia do sábado e o santificou.”

c) Isaías 58:13 – “. . . mas se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do Senhor digno de honra. . .”

d) Mat. 12:8 – “Porque o Filho do homem é Senhor do sábado.”

“Cristo se apresenta como – Senhor do sábado. Desde que é o Senhor dos homens, Ele é também Senhor sobre o que foi feito para os homens – o sábado – Marcos 2:28.

“Assim, quando a frase ‘Dia do Senhor’ é interpretada de acordo com as evidências anteriores e contemporâneas dos dias de João, torna-se evidente que não há referência a nenhum outro dia a não ser o sábado ou o sétimo dia da semana”. – SDABC, Vol. VII, pág. 736.

Em conclusão são oportunas ainda as asseverações do livro já citado de Arnaldo B. Christianini, págs. 177-178:

“Temos fundadas razões para crer que S. João se referia ao sábado. Porque, consoante a Bíblia, o único ‘dia do Senhor’ que nela se menciona é o sábado. . .

“O discípulo amado conhecia muito bem as palavras do Decálogo (Êxodo 20:10) bem como as de Isaías (Isa. 58:13). À vista disso, não precisamos ter dúvida quanto ao dia a que ele quis referir-se quando no Apocalipse escreveu: ‘fui arrebatado em espírito no dia do Senhor’.”

É uma verdade acaciana entre os comentaristas, que em nenhum lugar da Bíblia, se encontra uma afirmação que identifique o primeiro dia da semana como o dia do Senhor.

Texto de autoria de Pedro Apolinário, extraído da apostila Explicação de Textos Difíceis da Bíblia.

Fonte: Sétimo Dia

“Hoje estarás comigo no paraíso” (Lucas 23:43)

Os defensores da idéia, de que as pessoas recebem a recompensa logo após haverem expirado, citam, quase sempre, as palavras de Cristo na cruz ao ladrão arrependido.

Em Lucas 23 :42 o ladrão roga a Jesus o seguinte: “Senhor, lembra-te de mim, quando vieres no Teu reino”.

O verso 43 traz a resposta de Cristo: “Em verdade te digo hoje, que serás comigo no Paraíso”. Tradução Trinitária.

Para a nossa melhor compreensão, apresentaremos o texto em grego, como se encontra no Códice Vaticano, cópia da Bíblia em grego do 4º século, estando entre as duas mais antigas existentes.

Em letras minúsculas gregas, com as palavras separadas, aparece assim no Novo Testamento Grego:

kai eipen auto, Amen soi lego, semeron met”emu ese
en to paradeiso.

A cópia do Códice Vaticano nos comprova que nos Manuscritos primitivos unciais não havia separação das palavras e nenhum sinal de pontuação.

Em português seria assim:

EMVERDADETEDlGOHOJEESTARÁSCOMIGONOPARAÍSO.

A conhecida e muito útil obra “História, Doutrina e Interpretação da Bíblia”, do autor batista Joseph Angus, traduzida para o português por J. Santos Figueiredo, no Volume 1, pág. 38 nos informa o seguinte a respeito da pontuação na Bíblia:

“No oitavo século foram introduzidos outros sinais de pontuação. No nono foram introduzidos o ponto de interrogação e a vírgula”.

O livro “Arte de Pontuar”, de Alexandre Passos, página 22 nos afirma que estudando a história da pontuação através dos séculos, vemos que no V ou VI séculos os textos dos Evangelhos não apresentam nem ponto nem vírgula. Afirma ainda, este mesmo autor, que a separação das palavras na Bíblia torna-se mais freqüente no VII século.

A ausência de pontuação deixa os tradutores na possibilidade de colocarem a pontuação de acordo com suas idéias preestabelecidas.

É evidente, que a mudança de pontuação, pode alterar totalmente o significado de uma frase, como nos comprovam as afirmações de Rui Barbosa na Réplica, vol. II, pág. 195:

“Bem é que saiba o nosso tempo quanto bastará, para falsificar uma escritura. Bastará mudar um nome? Bastará mudar uma cifra? Digo que muito menos nos basta. Não é necessário para falsificar uma escritura mudar nomes, nem palavras, nem cifras, nem ainda letras, basta mudar um ponto ou uma vírgula.

“Ressuscitou; não está aqui”. Com estas palavras diz o evangelista que Cristo ressuscitou, e com as mesmas se mudar a pontuação, pode dizer um herege que Cristo não ressuscitou. “Ressuscitou? Não; está aqui”.

De maneira que com trocar pontos e vírgulas, com as mesmas palavras se diz que Cristo ressuscitou: e é de fé; e com as mesmas se diz que Cristo não ressuscitou: e é de heresia. Vede quão arriscado ofício é o de uma pena na mão. Ofício que, com mudar um ponto, ou uma vírgula, de heresia pode fazer fé, e de fé pode fazer heresia”.

Apresentaremos a seguir algumas declarações do Comentário Adventista ao explicar Lucas 23:43:

“Como originalmente escrito, o grego estava sem pontuação, e o advérbio semeron – “hoje”, está colocado entre duas sentenças que literalmente afirmam: “em verdade a ti te digo” e “comigo estarás no paraíso”. O uso grego permitia que aparecesse um advérbio em qualquer lugar numa sentença onde o orador ou escritor o desejasse colocar.

“Unicamente baseado na construção grega da sentença em consideração é impossível determinar se o advérbio “hoje” modifica “digo” ou “estarás”. Existe qualquer uma das duas possibilidades. A questão é: Quis Jesus dizer, literalmente, “Verdadeiramente eu te digo hoje”, ou “Hoje estarás comigo no paraíso”? A única maneira de conhecer o que Cristo queria indicar é descobrir respostas escriturísticas para algumas outras questões, tais como:

1ª) Foi Jesus ao paraíso no dia de Sua crucifixão?

2ª) O que ensinou Jesus concernente ao tempo em que os homens teriam a recompensa no paraíso?

1ª) Foi Jesus ao Paraíso no dia da Sua crucifixão?

Sabemos que Jesus não foi ao Paraíso no dia da crucifixão, pois ele mesmo declarou a Maria Madalena, três dias após a morte: “Não me detenhas; porque ainda não subi para meu Pai…” (João 20:17).

Se Jesus não esteve no Paraíso naquele dia, é evidente que o ladrão também lá não esteve.

Uma leitura atenta de S. João 19:31-33 nos científica que o ladrão não morreu naquela sexta-feira:

“Então os judeus, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação, pois era grande o dia daquele sábado, rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele tinha sido crucificado: chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas”.

O estudioso J. B. Howell, em seu Comentário a São Mateus, pág. 500 declara:

“O crucificado permanecia pendurado na cruz até que, exausto pela dor, pelo enfraquecimento, pela fome e a sede, sobreviesse a morte. Duravam os padecimentos geralmente três dias, e, às vezes, sete.

2ª) O que ensinou Jesus concernente ao tempo em que os homens teriam a recompensa?

A Bíblia está repleta de claros exemplos mostrando que o galardão dos justos será apenas após a volta de Jesus.

Dentre as muitas passagens destaquemos estas quatro:

a) Apoc. 22:12 – “Eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.”

b) S. Mat. 16:27 – “Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos e então retribuirá a cada um conforme as suas obras.”

c) I Pedro 5:4 – “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória.”

d) II Tim. 4: 8 – “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor reto juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a Sua vinda.”

Há várias traduções da Bíblia que traduzem Lucas 23:42 da seguinte maneira: “Lembra-te de mim quando vieres no Teu reino.” Assim o verte: a Trinitária, Matos Soares, a King James Version e outras. Esta tradução está bem de acordo cem o original grego, pois o verbo que aparece é erkomai, que tanto pode ser traduzido por ir ou vir.

Arnaldo Christianini estudou bem este assunto em Subtilezas do Erro, páginas 221 a 224 e dele transcrevemos as seguintes afirmações:

“E no Apêndice Nº 173, o famoso Oxford Companion Bible, esclarece: A interpretação deste versículo depende inteiramente da pontuação, a qual se baseia toda na autoridade humana, pois os manuscritos gregos não tinham pontuação alguma até o nono século, e mesmo nessa época somente um bento no meio das linhas” separando cada palavra… A oração do malfeitor referia-se também àquela vinda e àquele Reino, e não a alguma coisa que acontecesse no dia em que aquelas palavras foram ditas.”

E conclui no final do mesmo Apêndice:

“E Jesus lhe disse: “Na verdade te digo hoje” ou neste dia quando, prestes a morrerem, este homem manifestou tão grande fé no Reino vindouro do Messias, no qual será Rei quando ocorrer a ressurreição – agora, sob tão solenes circunstâncias, te digo: serás comigo no Paraíso”.

“E a expressão “hoje” ligada ao verbo não é redundante, mas enfática. É encontradiça na Bíblia. Leiam-se, por exemplo, Deut. 30:19; Zac. 9:12; Atos 20:26, e outras passagens.

“A conclusão fatal é que S. Lucas 23:43 é um falso pilar em que se ergue a teoria da imortalidade inata no homem e seu imediato galardão post mortem”.

Subtilezas do Erro menciona ainda várias traduções que vertem Lucas 23:43 da seguinte maneira:

“E Jesus lhe disse: na verdade te digo hoje: estarás comigo no Paraíso.”

Extraído de Pedro Apolinário, Explicação de Textos Difíceis da Bíblia.

Um cristão deveria vender bebidas alcoólicas e cigarros?

Quem trabalha com produtos como cigarro, cerveja, etc., está pecando? Um pastor da igreja quadrangular me disse que não é errado, pois, a pessoa só esta fazendo o seu serviço. Isso procede? Ao meu entender vejo que é pecado, mas, gostaria da sua explicação…

Há fortes princípios bíblicos que nos mostram ser pecado a venda de cigarros, cervejas e outras bebidas alcoólicas:

1) O princípio de 1 Coríntios 3:16, 17: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?  Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.” (Conferir 1Co 6:19-20).

O corpo humano é o santuário, morada do Espírito Santo (a Terceira Pessoa da Trindade). Sendo o cristão chamado a ser “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5:13, 14), ele não pode contribuir, através de um falso testemunho, com a propagação de substâncias que destruam a saúde das outras pessoas!

O apóstolo Paulo afirma claramente que, quem destruir o corpo (inclusive o corpo dos outros), será destruído, pois, o aspecto físico é sagrado.

2) O princípio de Êxodo 20:13: “Não matarás.”

A ingestão de álcool e o tragar cigarros mata. Dessa maneira, quem vende tais produtos (e também trafica drogas) está, de certo modo, “matando” outras pessoas e terá de dar contas a Deus por isso (Rm 14:12; Ap 22:15).

3) O princípio de Mateus 7:12: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.”

Da mesma forma que um cristão não gostaria que alguém vendesse bebidas e cigarros para um filho seu, por exemplo, não deve vender para os filhos dos outros!

4) O princípio de Habacuque 2:15: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor, e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas!”

É proferido um “ai” sobre aquele que dá de beber a outras pessoas. E não poderia ser diferente, pois, a pessoa está contribuindo com os planos de satanás de destruir a saúde humana e acabar com as famílias, pervertendo assim ainda mais a sociedade.

Esses são alguns princípios que nos ensinam ser proibida por Deus a comercialização de fumo e bebidas alcoólicas.

Leandro Quadros

Fonte: Na Mira da Verdade