Ensinar x Praticar

O Brasil tem três períodos políticos bastante distintos em sua história. A colônia, O império e a república. Durante o período colonial do Brasil, especialmente no século XVIII muito ouro foi extraído do solo. E cada grama desse ouro deveria passar pela revista da coroa portuguesa e pagar os seus devidos impostos.
Algumas pessoas, no entanto, davam um jeito de burlar os impostos e transportar o ouro sem deixar nada nos cofres portugueses. Uma dessas formas gerou uma frase muito usada ainda hoje no Brasil: O santo do pau oco.
Essa frase foi gerada por causa do contrabando de ouro e pedras preciosas que se fazia usando imagens de madeira de santos da igreja católica. Como o Brasil era oficialmente católico, ninguém se atrevia a revistar uma estátua de um santo. Se aproveitando disso, os contrabandistas fabricavam imagens ocas de santos, com uma abertura embaixo. Eles enchiam a imagem com ouro e pedras preciosas, fecharam o orifício e passavam tranquilamente na fiscalização.
Embora aquela imagem exteriormente parecesse um santo, na verdade era apenas uma embalagem para contrabandear ouro. Era um santo falso, ou, um santo do pau oco. Por fora havia santidade, mas por dentro havia roubo. Havia uma tremenda incoerência entre a mensagem da imagem e a sua real utilidade.
Há um texto na Bíblia que me vem à mente quando eu penso nessa história. Leia: Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos: “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam (Mateus 23:1-3).
Este ano comecei meu ano Bíblico pelo Novo Testamento. Portanto, logo passei pelo texto que acabei de citar e desde então ele não sai da minha mente. Todas as vezes que entro em contato com os membros da igreja na qual sou pastor, penso se eu não estou me comportando como aqueles fariseus dos tempos de Cristo. Penso se não estou incoerente entre o que prego e o que faço.
Quem eram os fariseus?
Hoje a imagem dos fariseus está bastante manchada. No contexto da igreja, chamar alguém de fariseu é querer ofender esta pessoa. Mas nos tempos de Jesus não era assim.
Nos tempos de Cristo os fariseus faziam parte de uma classe muito prestigiada. Seria orgulho para uma mãe ter um filho fariseu e qualquer pai gostaria que sua filha se casasse com um deles.
Eles eram líderes espirituais e tinham muita influência política na sociedade em que viviam. A própria palavra fariseu significa OS SEPARADOS, (Joachim Jeremias – Jerusalém no tempo de Jesus, 333 – Academia Cristã), eles eram uma classe muito especial e respeitada onde viviam.
Jesus mesmo reconheceu a posição social e religiosa privilegiada em que eles se encontravam. No texto bíblico que citei no início Jesus diz que: Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Isso significa que eles ocupavam a posição de Moisés como expositores da lei. Eles eram profundos conhecedores dos escritos de Moisés. Porém, todo esse conhecimento não os salvou de incorrerem em um erro fatal.
O problema com os Fariseus
A frase inicial de Jesus que ressaltava a posição eclesiástica dos fariseus e seu conhecimento da letra da lei era apenas uma introdução para uma advertência e repreensão que Cristo queria fazer. Ele continuou: Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem.
É lógico que o povo deveria obedece-los somente se o que eles falassem estivesse de acordo com a cadeira de Moisés. Jesus não apoiou nenhum dos acréscimos que eles fizeram às palavras do pentateuco, estas coisas só tornavam a religião cada vez mais pesada. O povo devia obedecer ao que estava de acordo com as Escrituras.
Jesus, então, lança a advertência: Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Aqui está o centro do problema dos fariseus. Existia na vida deles uma distância considerável entre ensinar e praticar. Eles eram bons no falar, sabiam os mandamentos decorados, as normas de conduta, mas não praticavam as coisas que falavam.
Podemos resumir o problema dos fariseus em uma palavra: incoerência. O pior é que a incoerência deles estava desviando o povo dos caminhos corretos.
Certa vez ouvi uma frase que me fez pensar e resolvi memoriza-la: O que você faz é tão barulhento que não consigo ouvir o que você diz. Essa frase poderia muito bem ser dita aos fariseus, pois, as ações deles colocavam uma penumbra sobre as palavras deles.  O problema é que temos a possibilidade de repetir o erro dos fariseus hoje.
Os líderes de hoje
Quem seriam os correspondentes aos fariseus e doutores da lei hoje? Esta é uma pergunta cuja resposta é importante para nossa reflexão. É lógico que não podemos fazer uma transposição perfeita das funções dos fariseus para alguma função eclesiástica atual, mas, analogamente os fariseus corresponderiam hoje à liderança da igreja: pastores, anciãos, diretores de grupos, etc.
Há muita semelhança entre esses grupos e os fariseus. Esses grupos são aqueles que conhecem mais a Bíblia (ou deveriam), são aqueles que constantemente pregam coisas verdadeiras e importantes nos púlpitos das igrejas. Eu, enquanto pastor, me sinto incluído neste grupo, mais ainda, sinto a responsabilidade de não incorrer no erro dos fariseus.
Por isso, há muito tempo tenho meditado no texto bíblico que deu origem a esta reflexão. Tenho me perguntado constantemente: tenho vivido aquilo que prego? Sou um bom representante da palavra de Deus?
Vou falar para você alguns temas que têm sido geradores de sermões para mim e que estão me fazendo pensar. Eu tenho pregado sobre modéstia cristã, e, baseado no texto de Mateus, eu tenho me perguntado: tenho vivido a modéstia cristã em meu dia a dia? As roupas que minha família veste têm sido coerentes com a minha pregação? As minhas ambições por carros, relógios e outros objetos têm sido compatíveis com minha pregação?
Outro tema bíblico que tenho pregado é sobre a prioridade da família. E por isso, me pergunto: Tenho colocado minha família em segundo lugar em minha vida, somente atrás de Deus? Tenho colocado meu trabalho, sucesso, fama à frente da minha família? Tenho dado a importância real que ela merece?
Eu também prego sobre o corpo como templo do Espírito Santo. Sou pastor de uma igreja com muitos jovens e sempre falo para eles que precisam cuidar da saúde e que isso tem tudo a ver com espiritualidade. Por isso tenho me perguntado: Tenho vivido a mensagem de saúde? Tenho comido o que Deus espera que eu coma e deixado de comer o que Deus espera que eu deixe? Tenho bebido o que Deus espera que eu beba e deixado de beber o que Deus espera que eu deixe? Tenho praticado exercícios físicos regularmente?
Tenho falado para minha igreja que ela deve participar da pregação do evangelho. Mas eu tenho pelo menos uma pessoa a quem eu, com pastor, dou estudos bíblicos? Tenho feito a minha parte fora da igreja?
A coerência entre o que eu falo e o que eu vivo tem sido vista em minha vida? Ellen White nos adverte: Não importa quão zelosamente seja advogada a verdade, se a vida diária não testemunhar de seu poder santificador, as palavras faladas de nada aproveitarão. Uma conduta incoerente endurece o coração e estreita o espírito do obreiro, colocando também pedras de tropeço no caminho daqueles por quem ele trabalha (Obreiros Evangélicos, 144).
Um bom lugar para avaliarmos a nossa coerência é dentro de casa. Ellen White continua: É o desígnio de Deus que, em sua vida doméstica, o mestre da Bíblia seja um exemplo das verdades que ensina. O que um homem é, exerce maior influência do que o que diz. A piedade na vida diária dará força ao testemunho público. A paciência, a coerência e o amor impressionarão os corações que os sermões não conseguem alcançar (Obreiros Evangélicos, 204). Devemos ao invés de apenas pregar sermões, devemos SER sermões ambulantes. Devemos ser vidas que pregam.
O maior exemplo de coerência é, sem dúvida, o Senhor Jesus. Ele viveu tudo o que pregou e pregou em cada passo que deu nesse planeta. Acompanhe o texto inspirado: Toda a vida do Salvador caracterizou-se pela desinteressada beneficência e a beleza da santidade. É Ele nosso modelo de bondade. Desde o princípio de Seu ministério, começaram os homens a compreender mais claramente o caráter de Deus. Ele realizava na própria vida o que ensinava. Manifestava coerência sem obstinação, benevolência sem fraqueza, ternura e compassividade sem sentimentalismo. Era altamente sociável, possuía, no entanto, uma reserva que desanimava qualquer familiaridade. Sua temperança nunca descambava para o fanatismo ou a austeridade. Não Se conformava com o mundo, e, todavia, estava atento às necessidades dos mais humildes entre os homens. (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, 262).
Deus espera de todos os seus filhos coerência entre o falar e o agir, assim pregaremos em todos os momentos da nossa vida, calados ou falando, na igreja ou no trabalho e o evangelho vai avançar com muito mais força e Jesus voltará muito mais rápido. Eu buscarei coerência para minha vida, busque você também. Vivamos de tal forma que Deus possa falar de nós: faça o que ele diz e também pode fazer o que ele faz. Que Deus nos dê sua graça para alcançarmos esse ideal.

Inexperiência Superada

Quando eu estava no terceiro ano da faculdade de teologia, tive aulas com um grande professor. Ele era um exemplo para todos os alunos, gostávamos de ouvi-lo. Um dia ele nos contou um pouco do início do seu ministério.
Ele enfrentou algumas dificuldades nos primeiros anos de ministério.  Por ter chegado muito jovem no distrito acabou ouvindo frases preconceituosas como a de um ancião que falou: O que esse menino tem a nos ensinar?
O professor nos contou que aquela frase ao invés de coloca-lo para baixo, o motivou a se preparar melhor ainda para ganhar o respeito dos irmãos. No final do período em que esteve naquele distrito, depois de muita dedicação aos estudos, visitas e orações, ele foi homenageado e reconhecido como um dos melhores pastores que já haviam passado por ali. A dificuldade com a idade foi superada pela aplicação ao trabalho.
Muitos jovens pastores (tanto na idade quanto no tempo de ministério) têm enfrentado problemas parecidos. Por chegarem muito inexperientes nas igrejas são recebidos com muito receio pelos líderes. Timóteo sofreu isso e Paulo o ensinou a superar essa dificuldade.
Paulo escreveu: Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza. Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (1 Timóteo 4:12-16).
Timóteo não era um adolescente, ele já servia a Paulo como assistente fazia uns quinze anos. A questão é que, na cultura da época, qualquer pessoa em idade de serviço militar (até quarenta anos) era considerada jovem demais para o ministério. Os Cânones apostólicos, inclusive, estabeleciam que ninguém poderia ser bispo antes dos cinquenta anos. Timóteo, portanto, sentiu na pele o que muitos jovens ministros sentem hoje, uma resistência por parte do mais velhos. Os conselhos de Paulo, porém, o ajudaram a superar esta fase.
Desafio para os jovens ministros
É natural que a igreja olhe com desconfiança para um pastor inexperiente. O pastor deve aconselhar, deve ensinar e, quando necessário, repreender e os jovens de hoje, de maneira geral, não cumprem esse papel com tanta facilidade.
Existe um agravante. Pessoas mais velhas, às vezes, não aceitam ser ensinadas ou repreendidas por jovens. Alguns não aceitam e permanecem em silêncio e outros partem para as críticas. Paulo ensinou que Timóteo deveria silenciar as críticas com sua conduta. A Bíblia NVI traduz assim o início do conselho: Ninguém o despreze pelo fato de você ser jovem (1 Timóteo 4:12). O jovem pastor pode ser respeitado, mas há uma parte dele nesse processo. Por isso, vale a pena prestarmos atenção aos sete conselhos de Paulo a Timóteo.
1 – Seja um exemplo
            A primeira atitude do pastor que quer ser respeitado (seja ele experiente ou não) é tornar-se padrão dos fieis. Paulo está falando de exemplo. Certa vez li uma frase que dizia: Palavras convencem, exemplos arrastam. Um bom exemplo é um dos mais fortes argumentos, por isso os pastores inexperientes devem ensinar pelo que falam, mas, principalmente, pelo que fazem.
O jovem pastor não consegue ser um exemplo de experiência, mas, tem toda possibilidade de ser um exemplo em outras áreas e o texto bíblico as expõe. A primeira é na palavra. O jovem precisa se preocupar com o seu modo de falar, com a linguagem que usa. Embora seja novo, não precisa ter uma linguagem carregada de gírias e expressões que o caracterize mais como um qualquer e menos como um pastor. É lógico que não estou dizendo que uma linguagem rebuscada vai fazer que alguém seja respeitado, mas é preciso que o jovem pastor seja coerente em sua linguagem no púlpito e fora dele.
A segunda área em que ele deve ser um exemplo é no procedimento, ou seja, no seu modo de viver. Sua família deve dar exemplo e seus procedimentos na igreja também devem ser exemplares. Para os jovens pastores a consulta constante do manual da igreja, por exemplo, ajudará muito nos procedimentos administrativos e a oração ajudará muito nos procedimentos cotidianos do trabalho.
A próxima área apresentada por Paulo na qual o pastor deve ser um padrão é no amor. Tenho um amigo pastor que gosta de dizer a seguinte frase: Nada resiste ao amor. Isso é uma verdade. Paulo alertou sobre isso. Nesse texto ele fala do amor ágape, o amor incondicional. Só quem tem esse tipo de amor por Deus e pelo ministério consegue superar as críticas e dificuldades que aparecerão e foi assim que Timóteo superou a crítica dos mais velhos. Os jovens pastores que seguirem este caminho também poderão superar.
A terceira área em que o jovem ministro deve ser padrão é na fé. Essa fé é a indestrutível fidelidade a Deus, custe o que custar. Os jovens pastores precisam manter a fé mesmo quando estão sendo criticados como Timóteo.
Paulo fala ainda que devem ser padrão na pureza. Nesse texto devemos entender pureza como o cumprimento cuidadoso das questões religiosas. Quando Plínio informava a Trajano a respeito dos cristãos em Bitínia, escreveu-lhe: “Costumam não jurar, não cometer furtos, nem roubos, nem adultério; não faltar a sua palavra; não negar uma promessa que se têm feito quando são chamados a responder por ela”. Esse tipo de pureza faz com que pessoas de qualquer idade respeitem o ministro de qualquer idade.
2 – Aplica-te à leitura
            O segundo conselho diz respeito à leitura. Originalmente esse conselho trata da Bíblia e de sua leitura pública feita costumeiramente nas igrejas da época de Paulo. Ele está enfatizando a importância de que a Palavra de Deus seja a fonte do assunto do culto. As pessoas vão à igreja para ouvir a Bíblia não a opinião do pastor. Ser especialista em Bíblia dará autoridade ao jovem pastor.
            Podemos, no entanto, aplicar este conselho a outras leituras. Quero amplia-lo dizendo que os pastores precisam ser homens de leitura. Outros livros precisam ser degustados pelos pregadores.
Os pastores devem dedicar tempo à leitura, ao estudo, a meditar e orar. Devem enriquecer o espírito com conhecimentos úteis, aprendendo de cor porções das Escrituras, traçando o cumprimento das profecias, e aprendendo as lições que Cristo deu a Seus discípulos. Levai um livro convosco para ler enquanto viajais de ônibus, ou esperais na estação da estrada de ferro. Empregai todo momento vago em fazer alguma coisa. Assim fechar-se-á, a milhares de tentações, uma porta eficaz. (Obreiros Evangélicos, 279)
A leitura de bons livros ajudará o jovem pastor (e os mais experientes também) a terem mais conteúdo nos sermões, a escreverem melhor e, inclusive, a falarem melhor. É a partir da leitura que terão argumentos sobre assuntos que os mais velhos já conhecem por causa dos anos que viveram a mais.
3 – Exortação
Outra prática que ajudará jovens pastores a serem respeitados por suas igrejas é a exortação. Exortar nesse texto tem o sentido de confortar, incentivar, admoestar. Ou seja, Paulo está falando do que conhecemos hoje como aconselhamento pastoral.
É preciso que o pastor esteja próximo de suas ovelhas e a visitação é um excelente método para que isso aconteça. A visitação vai ajudar os membros mais velhos a conhecerem o pastor e, consequentemente, irão respeita-lo por isso. Mesmo que a visita seja para repreender deve ser feita sem medo. A juventude não deve impedir que o ministro repreenda quem está errado. É preciso, no entanto, ter coragem de fazer isso no púlpito e nas casas. Nesse ponto muitos terão que brigar consigo mesmo para evitar a busca pela popularidade e manter-se concentrado no seu trabalho e na vontade de Deus.
4 – Ensino
O ensino é um dos dons do Espírito listados em 1 Co. 12:28. Isso quer dizer que essa característica, de forma especial, será colocada no pastor quando ele está em comunhão com Deus. Mais do que conhecimento é preciso dedicar tempo para estar mais perto do Senhor.
Depois de estar preparado espiritualmente para exercer a função do ensino é preciso estar intelectualmente preparado para isso. O jovem pastor que pregar sermões com um conteúdo significativo ganhará o respeito de todos. Como diz o comentarista bíblico: Em nenhuma Igreja pode existir uma fé duradoura sem um pregador que ensine (Barcley). Além de ensinar na igreja, o pastor deve ensinar nas casas e também ensinar com o exemplo.
5 – Não ser negligente com o dom
Ser pastor é mais que uma escolha pessoal, é uma escolha de Deus. Por isso precisamos honrar o chamado que recebemos. Fazer valer cada centavo que a igreja investe no ministério. Os jovens ministros devem trabalhar aproveitando a força e a disposição do início do ministério.
Infelizmente, alguns pastores, perdem a noção de que o nosso patrão não é o presidente da associação ou união, prestamos conta do nosso trabalho para Deus e ele está todo o tempo do nosso lado para nos ajudar, mas também, presenciando os momentos em que deveríamos trabalhar, mas acabamos nos ocupando com coisas supérfluas. Ser responsável com o dom que recebeu de Deus ajudará os jovens pastores a ganharem o respeito da igreja.
6 – Meditação e diligência
Esse dois conselhos abrangem os aspectos internos e externos enfatizando o  equilíbrio que deve haver na vida do ministro. Meditação é algo interno, mas a diligência aparece no dia a dia.
 Meditar é ponderar, gastar tempo planejando, gastar tempo orando. Meditar é pensar. Isso parece simples e óbvio, mas, às vezes, o pastor entra em um ritmo tão frenético (os pastores iniciantes podem acabar entrando nesse ritmo por acharem que se não tiverem um número impressionante de batismo serão mal vistos pela associação) que não separam tempo para pensar.
O teólogo Barcley diz que: `O grande perigo do líder cristão é a preguiça intelectual e a mente fechada. O perigo de que se esqueça de estudar e permita que seu pensamento corra por caminhos gastos. O perigo de que nunca saia da órbita de um número limitado de ideias favoritas. O perigo de que as novas verdades, os novos métodos, o intento de reafirmar a fé em termos contemporâneos simplesmente o irritem e chateiem. O líder cristão deve ser um pensador cristão, ou fracassará em sua tarefa; e ser um pensador cristão é ser um aventureiro do pensamento durante toda a vida`.
Diligência diz respeito a aplicação que se tem no trabalho. Não trabalhamos para homens, repito, e devemos lembrar que o cristianismo é a verdade em ação, por isso, os pastores devem estar em constante ação.
7 – Ter cuidado de si mesmo e da doutrina
A sequência que é apresentada nesse conselho é importante. Primeiro o pastor deve cuidar de si mesmo. Deve cuidar de sua vida espiritual, deve cuidar de sua família e deve cuidar de sua saúde.
Uma das maiores tentações do pastor é estudar a Bíblia apenas para fazer sermões. Os pastores precisam estar alimentados para depois oferecer comida para as suas ovelhas. Também não será produtivo cuidar da família dos outros e esquecer-se da sua própria família. Uma família bem estruturada levará muitos a respeitarem mais o jovem pastor.
Cuidar da saúde também é muito importante. Tenho um colega que trabalhou tanto no primeiro ano de ministério que adoeceu gravemente e chegou a correr risco de morte. O diagnóstico do médico em relação à sua doença foi esgotamento físico. Sem saúde o pastor jovem não conseguirá alcançar o respeito necessário de sua igreja. O Lazer é uma parte importante do ministério.
Depois que o pastor cuidou de si, então ele pode cuidar da doutrina. Deve ter zelo pelos princípios, respeito às normas locais e, mais que isso, ser um promotor das doutrinas bíblicas, pregando-as no púlpito.
 Promessas para jovens pastores
            Se os jovens pastores seguirem os conselhos do experiente apóstolo Paulo, não enfrentarão, por muito tempo, críticas por causa da sua idade. Logo os mais velhos da igreja começarão a respeita-lo sem mais darem importância à sua data de nascimento.

O texto de Paulo tem algumas promessas que poderíamos também chamar de consequências para aqueles que aplicarem na vida os seus sete conselhos. Paulo garante, em nome de Jesus, que o progresso do jovem pastor será manifestado a todos (v. 15) e também que o ministro salvará a si mesmo e aos seus ouvintes (v. 16). Seguir os conselhos Bíblicos é segurança para os jovens pastores, para sua família e para a igreja. Assim como Timóteo, os pastores jovens que seguirem os conselhos de Paulo terão muito sucesso no trabalho e o respeito de todos em sua igreja.

Graduado em teologia pelo SALT-IAENE
Pós-graduado em docência universitária
Pastor do IAESC – ANC

Hoje é o dia da preparação

“Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem”(Mt.24:37-ARA)

Os dias que estamos vivendo são maus. A depravação moral da raça humana nos remonta ao período antediluviano. As pessoas haviam esquecido suas origens, que foram criadas a imagem e semelhança de um Deus de amor, todavia, entregaram-se aos prazeres transitórios. O propósito de vida que Deus tinha ao criar o homem era para que este vivesse eternamente, mas o pecado definiu o tempo de duração da vida do homem. Mesmo o pecado tendo maculado a criação bela e perfeita, a raça humana conservava ainda muito do seu primitivo vigor. Hoje para aqueles que vivem um pouco mais de cem anos é um privilégio, alias até entra para o livro dos recordes como foi o caso da francesa Jeanne Calment que viveu 122 anos, lhe foi atribuído a pessoa mais velha do mundo, e à pessoa viva mais velha do mundo é atualmente a norte-americana Besse Cooper, com 114 anos.

Imagine viver longos anos, ou melhor, viver eternamente. Esse é o proposito de vida que Deus planejou para os seus filhos, não podemos nos contentar com este mundo, o apóstolo Paulo diz: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a este mundo, somos os mais infelizes de todos os homens” (I Co. 15:19). Logo, “a terra não é o nosso lar definitivo, eu e você fomos criados para algo muito melhor”. Um peixe nunca seria feliz vivendo em terra, porque foi feito para viver na água. Os antediluvianos não acreditaram em Noé e em sua mensagem, eu imagino que os mesmos que ajudaram na construção da arca ouvindo-o dia após dia, foram os mesmos que zombaram de Noé. Entregaram-se as paixões da carne, “comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento até o dia em que Noé entrou na arca” (Mt. 24:38). Não que seja errado comer, casar, mas porque viveram despercebidos ao cumprimento da promessa de que a terra seria destruída e precisavam urgentemente de um preparo especial. Jesus está voltando! Essa é a esperança que deve vibrar no meu e no seu coração, essa promessa não foi feita por qualquer um, foi feita por aquele que não pode errar, Ele vem para nos resgatar de volta ao lar que planejou. “Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará”(Hb. 10:37). Precisamos nos preparar, e cooperar na preparação de outros para o glorioso encontro com Jesus. Hoje é o dia da preparação, não podemos mais adiar esse compromisso você e eu sabemos disso, então convido você a orar assim: “Obrigado Senhor por não desistir de mim, obrigado pelo plano da salvação em Jesus, e obrigado por falar novamente ao meu coração da certeza de que irás voltar, eu quero me preparar pois quero logo subir e quero junto com minha família…, amigos, e irmãos está contigo nas mansões celestiais em nome de Jesus. Amém!

Glaubercy Borges, Pastor no Distrito de São Raimundo Nonato-PI.

Amigos de Jesus

Uma das melhores coisas da vida é estar junto dos amigos. Ter amigos é uma grande bênção que recebemos do céu. Eles são pessoas em quem podemos confiar e nos apoiar nos momentos bons e nos momentos ruins. Às vezes os nossos amigos são pessoas comuns, e nem por isso deixam de ser especiais para nós.

Às vezes os nossos amigos são pessoas importantes na sociedade, mas isso não nos faz amá-los mais do que já amamos.O que caracteriza uma amizade não são as qualidades ou defeitos que o outro tem, mas o que sentimos por ele. Identificamos os amigos a partir do tempo que eles dedicam um ao outro e do nível de intimidade que eles possuem. Os amigos são pessoas que conhecem o outro só pelo jeito de olhar, mesmo sem falar nada o amigo identifica se o outro está feliz ou triste.

Outra característica muito marcante dos amigos é que eles conhecem os segredos do outro. O amigo é a pessoa com quem se troca confidências, pois muitas horas são passadas em diálogo.A Bíblia tem um texto formidável sobre a maior amizade que poderíamos ter. Está escrito assim: Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer (João 15:15).

Sem dúvida alguma é uma tremenda honra sermos amigos de Cristo, e isso é mais uma amostra do quanto Ele é misericordioso. Jesus é nosso Salvador e Senhor, mas também quer ser nosso amigo. Que maravilha!Diante deste fato surge uma pergunta: O que significa ser amigo de Jesus? O nosso onisciente amigo, sabendo que teríamos esta dúvida nos deixou a resposta em Sua palavra.

Conhecê-lo

O texto bíblico que lemos inicialmente faz uma oposição entre o Servo e o amigo. Aqui já podemos identificar a primeira característica da amizade com Cristo. O servo não é íntimo do senhor, tem apenas uma relação de obediência, portanto, uma relação distante do senhor. Os amigos, no entanto, se conhecem, têm intimidade e, por isso, gostam de contar suas novidades um ao outro.

Ao falar sobre nossa amizade com Ele, Cristo disse: “tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer”. É perceptível nessa frase a figura de alguém que soube uma notícia muito boa e corre para contar ao seu melhor amigo. Nosso Amigo-Salvador nos contou tudo o que o Pai Celeste falou para ele. São as “confidências” de um amigo. Ele é a própria revelação do Pai.Se quisermos ser amigos de Jesus, precisamos conhece-lo mais e isso acontece quando estudamos a Sua revelação escrita: a Bíblia Sagrada. Foi ele mesmo quem disse: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim” (João 5:39).

É através do estudo da Bíblia que conheceremos a Jesus. Uma pessoa que não gasta tempo estudando a Palavra de Deus e aprofundando a intimidade através da oração, não pode dizer que é amiga do Mestre. Conhecê-lo é a primeira implicação da amizade com Cristo.

Obedecê-lo

O amigo Jesus é onisciente, portanto, sabe o que é melhor para nós. Diferente dos amigos pecadores que nos aconselham, mas são limitados, nosso Amigo Celestial consegue dar conselhos com a plena consciência de onde aquilo nos levará.

Por isso que ser amigo de Jesus também implica obedecê-lo. Em João 15:14 lemos: “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. Parece um contrassenso e até seria se fosse uma amizade entre dois pecadores, mas o amigo de Jesus faz o que Ele manda. Obedecer a Jesus é um grande benefício para nós. Jesus vê além do que conseguimos e, portanto, pode nos indicar o melhor caminho. Mais que uma carga, obedecê-lo é um privilégio e uma segurança para nós.

Contudo este verso nos trás uma condição para a nossa amizade com Cristo. No texto existe a partícula condicional “se”, ou seja, aquele que não obedece NÃO é amigo de Cristo. Infelizmente, vemos hoje muitas pessoas que se dizem religiosas, até se declaram amigas de Jesus, dizem que o amam, mas vivem em declarada desobediência ao Seu nome.O apóstolo João reforçou a ideia de vínculo entre amizade e obediência. Em João 14:15 lemos: “Se me amardes, guardareis os meus mandamentos”.

Aqui o amor é sinônimo de obediência. Em 1 João 5:2 encontramos: “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, se amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos”. Neste texto o apóstolo vincula o conhecer ao obedecer. Lemos a mesma ideia em 1 João 2:3: “E nisto sabemos que o conhecemos; se guardamos os seus mandamentos”.   Não há como fugir. Ser amigo de Jesus é ter uma vida de obediência aos seus mandamentos.

Permanecer nEle

O capítulo quinze do evangelho de João começa falando sobre a metáfora da videira e dos ramos. Esse é o tema geral do trecho. É nesse contexto que Jesus introduz o assunto da amizade. Aqui encontramos a terceira implicação de uma amizade com Cristo. O verso nove nos diz: “Como o Pai me amou, assim também eu vos amei; permanecei no meu amor”.

Como sabemos que permanecemos no amor dEle? O verso dez nos responde: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor”. Este texto precisa ser bem entendido. A obediência é a maior evidência de alguém que permanece em Cristo. A obediência é um sinal de que permanecemos nEle. Não obedecemos PARA estarmos ligados, mas obedecemos PORQUE estamos ligados. Obediência é fruto da permanência e só frutificamos quando estamos ligados a Ele. Essa é a mensagem geral do capítulo.

Neste momento surge uma pergunta intrigante: Se Jesus é completo em si mesmo, por que ele faz tanta questão da amizade conosco? O verso onze tem a resposta para esta pergunta: “Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo”. Que amor do nosso Amigo! Jesus quer colocar a alegria dEle em nós. O apóstolo João repete esta vontade de Cristo mais vezes. “Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo seja completo”(Jo. 16:24). “Mas agora vou para ti; e isto falo no mundo, para que eles tenham a minha alegria completa em si mesmos” (Jo.17:13). “Estas coisas vos escrevemos, para que o nosso gozo seja completo” (1 Jo. 1:4).

Nosso Amigo Jesus quer nos fazer pessoas alegres. Mesmo quando enfrentarmos as dificuldades dessa vida, se formos amigos dEle, estaremos alegres, não importa a circunstância.

Por que devemos ser amigos de Jesus?

Nos tornamos amigos de alguém por diversos motivos, mas o motivo que temos para sermos amigos de Cristo é o mais sublime de todos. João expressou o motivo da seguinte maneira: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13). Nosso amigo deu a vida por nós.  Todos nós estávamos condenados à morte e presos ao pecado, mas Jesus deixou seu trono para ser humilhado em nosso lugar e assim nos dar a possibilidade de vida eterna: “Cristo foi tratado como nós merecíamos, para que pudéssemos receber o tratamento a que Ele tinha direito. Foi condenado pelos nossos pecados, nos quais não tinha participação, para que fôssemos justificados por Sua justiça, na qual não tínhamos parte. Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia” ( O Desejado de Todas as Nações, 25). Como não ser amigo de alguém que nos ama tanto?Diante do que nosso amigo Jesus fez por nós, não podemos negar nossa devoção a Ele. Teremos que dizer como o apóstolo Paulo: Porque o amor de Cristo nos constrange (2 Cor. 5:14).Existe uma última característica dos amigos que também caracteriza a amizade com Cristo. O amigo gosta de estar na casa do outro. O apóstolo João fala para onde nossa amizade com Cristo nos levará: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. (João 14:1-3)”. Um dia nosso amigo Jesus virá nos levar para a casa dEle e nunca mais nos separaremos dEle. Mas só irão para lá aqueles que forem amigos dele desde já. Aprofundemos nossa amizade com Jesus a cada dia.

por: Felippe Amorim

Paz na Tempestade

Às vezes nos deparamos com histórias de pessoas que estão ameaçadas de morte por terem sido testemunhas de algum crime ou coisa parecida e por isso entram no programa da polícia de proteção às testemunhas.
Mesmo sob a proteção policial, pessoas ameaçadas de morte não vivem tranquilas. Certamente é muito incômoda a sensação de estar com a vida em risco. Se a ameaça vem de alguém próximo como um parente, a situação é pior ainda, pois além de tudo ainda envolve laços familiares quebrados e muita mágoa.
O grande rei Davi sofreu ameaças de morte e perseguição de algumas pessoas. Possivelmente as mais dolorosas foram as ameaças vindas do seu próprio filho.
Foi nesse contexto de perseguição da parte de Absalão que Davi escreveu o Salmo três. Este Salmo é uma súplica individual, inspirada num profundo sentimento de dependência de Deus. Há uma preciosa mensagem de fé contida neste trecho da Bíblia.

A Tempestade

O Salmo começa assim: “Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim” (v. 1). A situação enfrentada por Davi era bastante complicada. Não era apenas Absalão que o perseguia, mas muitos dos seus antigos súditos.
Podemos perceber isso claramente do relato Bíblico: “Então, veio um mensageiro a Davi, dizendo: Todo o povo de Israel segue decididamente a Absalão” (2Sm 15:13). Aquelas eram pessoas a quem Davi havia protegido e cuidado, mas agora queriam mata-lo. Seu próprio filho, a quem ele deu o sustento e a proteção quando criança queria tirar sua vida. Sem dúvida foi uma situação muito ruim.
Com o coração pesaroso, o rei-salmista continua: “São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele” (v. 2). Muitos dos que viam a situação de Davi diziam que ele não tinha como escapar. Nem em Deus haveria salvação para o ele.
Muitas vezes nos encontramos em situações semelhantes. Enfrentamos problemas difíceis, somos perseguidos por pessoas próximas a nós, temos a vida por um fio. São situações para as quais as pessoas dizem que não há solução.
Mas não é com esse tom pessimista que termina o salmo. Na verdade, esses são apenas os dois primeiros versos de uma série de oito. Davi gastou apenas dois versículos apresentando o problema e em seis versículos apresenta Deus como solução e proteção. Até nesta disposição do salmo certamente podemos aprender algo. Nosso foco não deve ser no problema, assim como não foi o de Davi, nosso foco deve ser em Deus que é capaz de resolver qualquer tipo de dificuldade.

A fonte da Paz

No verso três já podemos perceber uma significativa mudança de tom. “Porém tu,Senhor, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça”(v. 3). A primeira palavra já demonstra que a situação mudou. A palavra “PORÉM” indica que vai começar uma parte que se opõe ao que vinha sendo dito.
Sempre há um “porém” nos sofrimentos pelos quais os filhos de Deus passam. Na vida dos fiéis, o sofrimento não é uma situação definitiva. Para todos os que confiam nEle, Deus coloca um PORÉM no meio do problema.
Davi começa a fazer uma descrição do que Deus representa para ele naquele momento. Ele diz que Deus é “meu Escudo”, ou seja, há defesa contra as setas do inimigo. O Senhor também é a “minha glória”, portanto não há fracasso definitivo. Davi diz ainda que Deus exalta a sua cabeça. Quem confia em Cristo não anda de cabeça baixa.            Quando David fugiu, estava dobrado pela humilhação (2 Sam. 15: 30), mas Deus o permitiu que levantasse de novo a cabeça ( Sal. 27: 6).
Após exaltar as características de Deus, o rei expõe as atitudes daqueles que sofrem, mas sem sair de perto do Pai. “Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde” (v. 4).
Clamar é mais que orar, clamar é se derramar diante de Deus. É abrir todos os compartimentos do ser para que Deus interfira da maneira que Ele quiser. Quem faz assim pode ter a certeza de que Deus responde, assim como o salmista tinha.

Os efeitos da Paz

“Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta” (v.5). Isso é sensacional! Somente com a confiança totalmente colocada em Deus é que alguém pode ter um sono tranquilo enquanto é ameaçado de morte. Seu sono não era produzido por um mero cansaço, nem por indolência, nem por presunção; era um ato de fé. Era certeza de proteção. Quem confia em Deus, não perde sono mesmo que esteja correndo risco de morte.
“Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados” (v. 6). A ausência de medo é outra característica nítida naqueles que esperam no Senhor. Satanás nos ataca por todos os lados e usa todas as coisas e pessoas possíveis, mas não teremos medo se confiramos em Deus.
“Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes” (v. 7). Se observarmos com atenção, perceberemos que Davi fala com certeza da bênção que ainda viria, ele fala como se Deus já tivesse ferido seus inimigos. Isso é fé!
“Do Senhor é a salvação, e sobre o teu povo, a tua bênção” (v. 8). Este é o final do salmo. Aqui, Davi está tão tranquilo que começa a pensar em abençoar o povo. Sua situação pessoal já não o preocupa mais, ele pode pensar em ajudar outros a alcançar a confiança que ele adquiriu. “Na hora de sua mais negra prova, o coração de Davi estava firme em Deus” (Patriarcas e Profetas, 741).

Desfrutando a Paz na tempestade

Muitas vezes sofremos como Davi. Somos ameaçados por Satanás, somos perseguidos por pessoas próximas a nós, sofremos muita oposição. Se pusermos, no entanto, nossa confiança inteiramente em Deus, poderemos dormir tranquilos, viver sem medo e até ajudar a outros a enfrentarem suas tempestades.
O que precisamos é manter nosso foco em Deus e em suas promessas. O Senhor que protegeu e amparou Davi quer fazer o mesmo conosco. Ele só precisa que nos entreguemos completamente a Ele.
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem (Hb 11:1). É dessa fé que nós precisamos! “A prosperidade espiritual continua apenas enquanto o homem confia inteiramente em Deus quanto a obter sabedoria e perfeição de caráter” (Cons. Sobre Mordomia,  147).  “Deus declara que ainda que uma mãe possa esquecer-se de seu filho, “Eu, todavia, Me não esquecerei de ti” … Deus pensa em Seus filhos com a mais terna solicitude e mantém um memorial escrito diante dEle, para que jamais possa esquecer-Se dos filhos dos quais cuida” (Fé pela qual eu vivo. MM – 1959, 280).
Diante de tão preciosas promessas, o que nos resta é confiar completamente em Deus e desfrutar de paz em meio à tempestade. Se entregue a Ele agora!

Felippe Amorim

Perguntas diante do Sofrimento

O sofrimento humano é uma das questões mais difíceis para a teologia. É muito complicado entender como um Deus tão amoroso quanto o nosso pode permitir que aconteçam tantas tragédias com Seus filhos.
Durante a semana santa deste ano (2012), por exemplo, quatro jovens, dois estudantes de teologia e suas respectivas esposas, que retornavam de uma semana especial de pregações em Pernambuco, sofreram um acidente automobilístico e faleceram tragicamente. Como entender?

A morte sempre é uma questão difícil de encarar, mas a morte trágica de um servo de Deus se torna mais difícil de lidar.

Diante do sofrimento sempre surgem algumas perguntas: Por que Deus deixou que isso acontecesse? Por que Deus não fez nada para impedir? Por que Deus não soluciona esta situação de forma milagrosa? São perguntas para as quais dificilmente teremos respostas. A Bíblia nos apresenta algumas ideias que podem nos ajudar a lidar melhor com estas perguntas.

Primeira pergunta

De forma geral, a primeira pergunta que surge em nossa cabeça quando nos deparamos com o sofrimento de um filho de Deus é: “Por quê?”. Esta, porém, não é uma boa pergunta, pois não há resposta concreta para ela.

Em Deuteronômio 29:29 lemos o seguinte: “As coisas encobertas pertencem aoSenhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei”.
Este verso é a única resposta segura para a primeira pergunta que fazemos diante do sofrimento. As coisas encobertas são de Deus. O “por que” do sofrimento está classificado entre as coisas que nos estão encobertas.

Qualquer coisa que tentarmos acrescentar a isso será mera especulação. Um dia Deus poderá nos responder na eternidade, mas até lá ficaremos sem resposta. Nesse momento da história humana a pergunta “Por quê?” não é boa para as ocasiões de sofrimento.

Segunda pergunta

Poderíamos fazer uma pergunta um pouco melhor diante do sofrimento humano: “Para quê?”. Esta indagação é um pouco mais adequada porque para ela podemos encontrar uma resposta parcial.
No capítulo 11 de seu evangelho, o apóstolo João narra a história da ressureição de Lázaro. No início do relato Jesus foi confrontado com a notícia da enfermidade do seu amigo e respondeu: “Esta enfermidade não é para morte, e sim para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja por ela glorificado” (Jo. 11:4).

Podemos entender claramente que, apesar de não ter enviado o sofrimento para aquela família (nunca é Deus quem envia), Jesus permitiu que eles passassem por momentos difíceis porque tinha um propósito especial para aquela situação.

Entendemos os propósitos daquela doença e morte no final da história: “Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera Jesus, creram nele” (Jo. 11:45). A conversão de muitos judeus era o motivo pelo qual Jesus permitiu que o sofrimento chegasse àquela família.

Quando Deus permite que o sofrimento chegue aos seus filhos sempre tem um propósito. Mas, como já vimos, nossa resposta para a pergunta “para que?” é parcial, pois dificilmente identificamos os propósitos imediatamente e às vezes nunca os identificaremos. Dessa maneira “Para que?” ainda não é a melhor pergunta.

A melhor pergunta.

A melhor pergunta diante das tragédias que chegam à vida dos filhos de Deus é: “Até quando?”. Esta é uma boa questão, pois para esta temos uma resposta definitiva.

Jesus nos deu essa resposta em sua palavra: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. (Jo. 14:1-3)

Os discípulos estavam com o coração turbulento pela partida de Jesus. Então Jesus anunciou o motivo pelo qual o coração deles deveria se acalmar. A volta de Jesus é a solução final para todo e qualquer sofrimento humano.

No meio de momentos angustiosos temos a tendência de indagar porque Deus não fez nada para impedir a tragédia. Mas a verdade é que Deus já fez algo. Ele enviou seu Filho para morrer por nós e anunciar a esperança de Sua segunda vinda.

O que precisamos entender é que Jesus não veio resolver o problema da primeira morte. Jesus veio à Terra resolver o problema da segunda morte.

Muitos filhos de Deus morreram de forma trágica. Estêvão foi apedrejado, Paulo foi decapitado, Jerônimo foi queimado vivo durante a Idade Média, dentre muitos outros.

Pense um pouco. Se Jesus tivesse evitado a morte trágica deles, mesmo assim eles estariam mortos hoje. Basta pensarmos em Lázaro, ele foi ressuscitado por Jesus, mas onde está agora? Morto. Jesus veio a este planeta resolver o problema da segunda morte.

Entendemos bem isso quando Jesus afirmou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo. 11:25). O que nosso Senhor estava querendo dizer é queo importante não é esta vida passageira, mas sim a vida de verdade, a vida eterna.

Nossa esperança não está em que Deus vá adiando nossa morte aqui neste planeta, está em que chegue logo aquele dia onde “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap. 21:4).

Não temos resposta para o “por quê?”, temos uma resposta parcial para o “para que?”, mas a melhor pergunta diante do sofrimento é “até quando?”. A esperança da volta de Jesus é o nosso único consolo diante do sofrimento humano.

Não podemos terminar esta reflexão sem olharmos para dentro de nós. Porque mais importante do que tentar explicar o motivo do sofrimento e morte dos filhos de Deus é estarmos preparados para o momento em que o nosso destino for selado.

Aqueles que já descansaram estão com o destino selado. Mas nós que continuamos vivos escolhemos nosso destino eterno a cada segundo. Por isso, cabe aqui mais uma pergunta: Se hoje fosse o dia de você encontrar com a morte, como estaria a sua vida? Qual seria a sentença de Deus para você no dia do julgamento final?

Não há garantia alguma de que teremos vida amanhã, ou mesmo daqui à uma hora e por isso não podemos esquecer que precisamos estar preparados a cada momento da vida para a morte ou para a volta de Jesus. Talvez seja mais útil perguntarmos um pouco menos e nos entregarmos mais.

por: Felippe Amorim

É lógico crer em Deus?

Introdução:

É comum, nos espaços acadêmicos seculares, ouvirmos pessoas argumentando contra a existência de Deus. Alguns querem impor a ideia de que é mais “intelectual” descrer da existência do Senhor. O ateísmo cresceu muito desde o século XVIII quando explodiram as teorias iluministas. Com o surgimento do evolucionismo no século XIX o sentimento “anti-Deus” se tornou cada vez mais forte.

Nos últimos anos temos escutado com cada vez maior frequência versões diversas da teoria da evolução. A indústria cinematográfica sempre reforça estas teorias lançando algum produto que faz apologia a estas ideias e, até alguns que se dizem cristãos estão aderindo a uma versão do evolucionismo chamada de “evolucionismo-teísta”.

Há uma intencional tendência de ligar os cientistas ao ateísmo, e alguns chegam a afirmar que a ciência e a religião são incompatíveis.

Antes de avançarmos, é útil que pensemos um pouco sobre esta dita ciência. Não todos, mas uma boa parte dos cientistas são bastante incoerentes. Uma das premissas mais defendidas por eles é a característica da ciência de discutir diversas hipóteses e especulações. Porém quando chega a hora de considerarem a possibilidade da existência de Deus, eles não admitem entrar nesta discussão, ou seja, não há na ciência secular esta universalidade de possibilidade de discussão que eles tanto apresentam.

Um pensador ateu chamado D. Barker falou a seguinte frase: “Sou ateu porque não há evidência para a existência de Deus. Isso deve ser tudo que se precisa dizer sobre isso: sem evidência, sem crença”. Será que ele estava certo? Realmente não existem evidências da existência de Deus?

Nem todos os cientistas são ateus

Um primeiro ponto importante é sabermos que nem todos os cientistas são ateus. Muitos estudiosos do passado e do presente creem em Deus.

Os pais da ciência, por exemplo, criam em Deus como muitos cristãos de hoje. Isaac Newton, o grande estudioso da lei da gravidade era um cristão fervoroso. Além de suas influentes “Leis da física” que são a base da engenharia moderna, ele também escreveu sobre religião. Em seu livro “Princípia” escreveu: “este maravilhoso sistema composto pelo sol, planetas e cometas só poderia ter surgido a partir do conselho e domínio de um ser poderoso e inteligente”. Newton escreveu sobre religião tanto quanto escreveu sobre ciência. Em sua bibliografia estão livros sobre as profecias de Daniel e Apocalipse, por exemplo.

Outro pai da ciência que se mostrou crente em Deus foi Johannes Kepler (1571-1630). Enquanto demonstrava os movimentos dos planetas em torno do sol em padrão oval e não circular, também estudava a respeito do Deus criador, a ponto de dizer que queria encontrar na natureza “harmonias matemáticas da mente do criador”.

Podemos citar ainda Blaise Pascal (1623-1662) que lançou as bases da teoria da probabilidade matemática. Ele dizia que “o curso de todas as coisas deve ter como objetivo o estabelecimento e a grandeza da religião”.

Mas não são apenas os cientistas de séculos longínquos que tinham esta crença. Uma pesquisa realizada em 1996 nos EUA envolvendo mil pessoas do dicionário Biográfico “American Men and Women of Science”, constatou um dado interessante. 40% dos cientistas pesquisados afirmaram: “Eu creio em um Deus que se comunica com a humanidade de maneira intelectual e afetiva, ou seja, um Deus a quem podemos orar com a expectativa de obter uma resposta. Por “resposta” quero dizer mais do que o efeito psicológico e subjetivo da oração ”. É um número bastante expressivo e que nos mostra que no meio científico também há espaço para a fé em Deus.

Evidências Na natureza

Nossa crença em Deus não está totalmente baseada em uma fé cega. Quando olhamos para a natureza, facilmente podemos perceber as evidências de um criador que a projetou. Listarei apenas alguns exemplos:

1. Estrelas: O Físico Freeman Dyson afirma que se a distância entre as estrelas fosse dez vezes menor, haveria a forte probabilidade delas se aproximarem do nosso sistema solar e atrapalhar as órbitas dos planetas.

2. Matéria: Se a massa do próton fosse diferente em apenas uma parte em mil, não haveria átomos ou elementos e consequentemente não haveria nada.

3. Sol: Se o sol estivesse apenas 5% mais próximo ou 1% mais distante da terra, isso eliminaria toda a vida do nosso planeta.

4. Força nuclear forte: Se essa força fosse 2% mais forte, nós não teríamos hidrogênio e, consequentemente, nem sol, nem água, nem vida. Se fosse 5% mais fraca, teríamos apenas hidrogênio e nada mais .

5. O nível de Dióxido de Carbono (CO2): Se o nível fosse maior do que o atual, teríamos um efeito estufa que queimaria a todos. Se fosse menor as plantas não conseguiriam fazer a fotossíntese.

6. Gravidade: Se fosse alterada em 10-37 % (0,00000000000000000000000000000000000001 %), o sol não existiria.

7. Nunca nenhum cientista conseguiu dar vida a nada. Já deveriam ter concluído que vida somente pode ser dada por Deus.

Sem dúvida, nestes exemplos da natureza há uma precisão impressionante e fica difícil crer que tudo isso aconteceu como obra do acaso. É tão difícil quanto crer que da explosão de uma fábrica de papel surgiu uma linda biblioteca com muitos volumes organizados por assunto e por tamanho.

A Força do Criador

Alguns olham para estas evidências e tentam atribuí-las aos acaso. É certo que, no final, tudo é uma questão de escolha. Alguns escolhem não crer em Deus. Mas, com um mínimo de sensibilidade espiritual, ligaremos todas estas características da natureza a Gênesis. 1:1-31. Lá encontramos a descrição de como todas as coisas se formaram e de como nosso Senhor teve carinho em criar todas as condições para nosso conforto.

Neste trecho das escrituras podemos perceber que através de Sua palavra Deus criou tudo. Apenas um “disse Deus” foi suficiente para que tudo se formasse. Não temos porque não crer na existência desse Deus tão poderoso.

Mas, o relato da criação contem outra mensagem embutida. Deus criou tudo através de Sua palavra e esta palavra que criou, ainda tem poder de criar e recriar. Em hebreus lemos: Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4:12).

Esta é uma das maiores evidências da existência de Deus e do poder de sua palavra: a capacidade que a palavra de Deus tem de transformar vidas. Quantos bêbados se tornaram homens sóbrios e responsáveis. Quantas vidas dominadas pelas drogas foram libertas. Várias famílias desfeitas foram restauradas, muitas vidas infelizes e vazias foram preenchidas com a felicidade vinda do céu.

Tenha total certeza da existência de Deus e tenha mais certeza ainda que Ele ama você e através de sua palavra quer te dar felicidade eterna. Apenas creia!

Felippe Amorim

Fonte: http://felippeamorim.blogspot.com/

O Cálculo – Uma realista e direta mensagem de Jesus para a igreja

Introdução:

A obra mais famosa do arquiteto catalão AntoniGaudí é a igreja da Sagrada Família, em Barcelona, um castelo que tem a peculiar característica de parecer ser feito de areia, com torres prestes a desmoronar a qualquer momento. Iniciada em 19 de março de 1882, esta fantástica obra teve que ser interrompida pela morte do seu arquiteto: Gaudí morreu atropelado por um bonde em 1926 antes de poder finalizá-la.

Seu corpo foi enterrado na cripta da igreja, que possui também um museu em que estão maquetes que mostram como o arquiteto/artista imaginava o local. E a obra permanece inacabada até hoje, eternamente em construção, e muitos afirmam que ela nunca será terminada. Esta, sem duvida, é uma das atrações daquele lugar.

Alguns críticos dizem que uma possível versão final do edifício de Gaudi vai parecer muito pouco com o projeto original. Gaudí se recusou a desenhar todo o projeto durante a construção e preferiu fazer alterações com a obra em andamento. Os desenhos originais, durante a Guerra Civil espanhola, foram muito estragados pelos anarquistas. Gaudí passou 40 anos supervisionando o trabalho no edifício, e quando morreu, em 1926, a igreja estava longe de terminar.

Quando vamos realizar uma obra, grande ou pequena, para que tenhamos sucesso, precisamos calcular o que necessitaremos para a sua conclusão em tempo hábil. Quando não damos este passo corremos o risco de repetir o que aconteceu com a basílica da sagrada família em Barcelona: uma grande obra que não pode ser concluída.

A vida cristã pode ser comparada a uma obra que está sendo construída. Sendo assim necessitamos fazer os cálculos para avaliarmos o que precisaremos para avançar. Jesus falou sobre o cálculo para a vida cristã em Lucas 14:25-33. Em seguida vamos analisar este trecho das escrituras.

O realismo de Jesus

O texto começa assim: “Ora, iam com ele(Jesus) grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes: (v. 25)”.  Muitos pregadores se impressionam quando multidões param para ouvi-lo. Às vezes nós mesmos medimos o sucesso de uma igreja pela quantidade de pessoas que estão frequentando as reuniões, mas com Jesus é diferente.

Neste episódio uma multidão o seguia, mas Cristo parou e virou-se para ela. Certamente não virou para alimentar a vaidade de ser seguido por muitos, tampouco queria conferir se alguém tinha sido acrescentado à multidão. O que ele queria era alertar àquelas pessoas que o caminho que estavam tomando exigiria delas renúncias e por isso elas deviam avaliar se valeria a pena.

Muitos naquela multidão seguiam a Jesus por motivos errados: popularidade, benefícios físicos, emocionais e sociais. Hoje não é diferente. Ser um cristão em nossa sociedade é motivo de elogios, os cristãos tem uma vida social bastante satisfatória proporcionada pela convivência com os irmãos na igreja. Há vantagens em ser um cristão, mas não é por isso que devemos seguir a Jesus. No momento em que se virou para a multidão Jesus queria alertá-la a respeito do preço de sua decisão.

O preço da caminhada

Ao olhar para aquelas pessoas Jesus com o coração cheio de amor fala algo que precisamos compreender bem: “Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo (v. 26,27)”.

Primeiro precisamos entender o sentido da palavra aborrecer, para que não pensemos que Jesus estava desprezando uma instituição que ele mesmo criou: a família. Quando o Senhor proferiu esta palavra ela tinha o sentido de “Amar menos”. Na verdade a frase de Cristo reforçou o valor da família. Em outras palavras Ele disse: a família é algo muito importante, porém, mesmo ela não pode ser mais importante do que Deus.

Jesus usou o exemplo máximo para que nós entendêssemos os menores. Se a família, sendo tão importante, não pode estar acima de Cristo, imagine, por exemplo,um emprego que não lhe proporcione oportunidade de guardar o sábado, ou quem sabe um namoro fora dos princípios bíblicos. Podemos aplicar esse conceito também às amizades, aos divertimentos entre outras coisas. Nada pode ser mais importante que Jesus.

O Salvador, portanto, estava falando sobre prioridades. Ele estava querendo nos dizer que as nossas tradições familiares, a opinião do nosso cônjuge, de nossos pais ouqualquer outra questão familiar não pode ser mais importante para nós do que a vontade de Deus.

Jesus vai mais fundo no texto falando em aborrecer à própria vida. Neste momento ele se refere à caminhada cristã. O evangelho de Lucas é uma narrativa da viagem de Cristo em direção à Jerusalém. Neste contexto Cristo estava dizendo àquelas pessoas da multidão: “vocês estão me seguindo, mas devem saber que o final da minha caminhada é a cruz, ou seja, a morte. Querem continuar?”

Sem dúvida isso é uma metáfora da vida cristã, que é uma caminhada para a morte espiritual. O apóstolo Paulo compreendia bem isso quando disse: “Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim(Gl 2:19,20).

A Bíblia nunca nos escondeu os desafios da vida cristã e é vontade de Deus que calculemos todas as implicações de escolhermos este caminho para nós. Por isso que Jesus foi tão enfático: se não tomar a cruz NÃO PODE ser discípulo.

O Cálculo

Jesus é o maior professor que já existiu e para ensinar aquela lição Ele deu dois exemplos: “Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar? Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele,dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar.Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil? No caso contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda embaixadores, e pede condições de paz”(v. 28-32).

Estes exemplos podem ser resumidos em uma frase: “Querer não é poder”. Neles nos foi mostrado que para seguir Jesus é preciso mais do que vontade. Os dois homens tinham vontade de realizar seu empreendimento, mas não calcularam os custos da obra, ou seja, não sabiam que não tinham condições logísticas de executar aquilo que desejavam.

Outro requisito básico para ser um discípulo é ter ciência de que há um preço. Todo este discurso de Cristo nos alerta a respeito do preço de segui-lO. Muitas pessoas querem ser cristãs, mas não estão dispostas a pagar o preço, que pode ser traduzido em renúncias profundas. Em outras palavras, não dá para ser cristão e aproveitar o mundo ao mesmo tempo. Por isso Jesus deu o exemplo do cálculo. Quem seguir sem calcular as renúncias que necessita fazer não chegará ao final da caminhada e acabará envergonhado.

Para entendermos melhor, vamos ilustrar: Imagine que um namorado convide sua namorada para visitar um ponto turístico na cidade vizinha e deseja tomar um sorvete naquela cidade. O dinheiro que ele tem, no entanto, dá apenas para pagar a passagem de ida e volta de ônibus, não sobrando o suficiente para o sorvete. Eles então vão, lá decidem tomar o sorvete e na hora de voltar descobrem o que um simples cálculo prévio esclareceria: ele não tem dinheiro suficiente para pagar as passagens de volta. Que vergonha para o namorado!

Este exemplo nos ajuda a entender o conceito que Jesus gostaria de passar. Não dá para servir a Deus e continuar com as coisas do mundo. Há um preço para a vida cristã, o qual se configura em renunciar aquilo que não tem coerência com a caminhada para o céu.

Há outra coisa que podemos perceber neste trecho das escrituras:Jesus não mendiga nosso discipulado. Quando Ele se virou para a multidão queria deixar claro que aqueles que não estivessem dispostos a renunciar os prazeres transitórios do pecado não teriam a mínima condição de continuar a caminhada cristã.

É muito comum no mundo evangélico atual ouvirmos pregadores apresentando um Cristo que se oferece para as pessoas por qualquer preço. Oferecendo uma graça barata. Esse não é o Cristo bíblico.

É útil salientarmos que embora tenhamos que pagar um preço para seguir Jesus, não é esse o preço que paga a nossa salvação. Trata-se, na verdade, de uma implicação natural da aceitação da salvação divina.O discípulo verdadeiro entende o tamanho do presente que recebeu de Cristo e, em gratidão,está disposto a pagar o preço de seguir a Jesus.

No último verso do trecho que estamos analisando,Jesus arremata o que estava dizendo com uma afirmação bastante realista: “Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo”(Lc. 14:33). Você percebeu a expressão “Não pode” de Cristo? Ele está dizendo que mesmo que queira seguir Jesus, o cristão que se apega a este mundo não pode segui-lo. Em outras palavras: “você não tem condições de me seguir enquanto continuar amando o que ama, valorizando o que valoriza.”

Sinceramente, quando ouvi Jesus dizer isso para mim, através da leitura devocional dessa passagem de Lucas, me senti impotente, sem a mínima condição de prosseguir na caminhada cristã. Fiz o cálculo e percebi que não tenho a mínima chance de continuar por mim mesmo. Era como se Jesus estivesse dizendo para mim: “soldado, pede pra sair”. Então, tomei uma decisão: caí de joelhos e clamei a Deus para que Ele me desse o poder para continuar a caminhada, dizendo para Ele: “afinal de contas, foi o Senhor que me chamou para essa jornada. Não pode simplesmente agora dizer que estou fora. Lutei com Ele como Jacó e supliquei que não fosse abandonado sem o poder necessário para prosseguir. Tal como Pedro, reconheci: “Para onde irei, pois só tu tens as palavras da vida eterna”(Jo. 6:68). Entendi, então, qual era o objetivo de Jesus ao me dizer palavras tão diretas e realistas: Ele mais uma vez queria que eu entendesse minha total dependência dEle e buscasse nEle o poder para continuar. Graça maravilhosa!

Nos últimos dias da igreja de Cristo neste planeta haverá três classes de pessoas: Os que farão o cálculo da vida cristã e decidirão sair, os que não farão o cálculo e “ficarão” por algum tempo até saírem envergonhados e os que farão o cálculo, perceberão que não podem por si mesmos e pedirão o poder de Deus para prosseguir. Hoje é o dia de pedirmos o poder de Deus para carregarmos nossa cruz e sermos verdadeiros discípulos de Cristo.

Felippe Amorim
Professor de história no IAENE e aluno do 6º período do SALT-IAENE
Vinícius Mendes
Professor de Português no IAENE, mestrando em Ciências Sociais pela UFRB e Formando em Teologia no SALT-IAENE

Fonte: http://felippeamorim.blogspot.com/

Na contramão do mundo

Introdução

Fiquei curioso para saber quais as lutas que os jovens cristãos têm enfrentado nesses tempos em que vivemos, então resolvi fazer uma pesquisa rápida sem muito rigor científico entre alguns alunos de uma escola de Ensino Médio. Passei um questionário simples com duas perguntas. A primeira foi: Em quais áreas você tem maior dificuldade de ser fiel a Deus? A segunda pergunta foi: Para você, qual é o maior desafio de um jovem cristão hoje?

As respostas foram muito interessantes. Para a primeira pergunta 64% dos pesquisados responderam que era ouvir somente músicas cristãs, 58% disseram que têm muita dificuldade em ler a Bíblia e orar diariamente. 21% indicaram problemas com a Internet, 26% responderam que têm dificuldade em sempre falar a verdade. Algumas áreas como sexualidade e frequência aos cultos também foram indicadas, dentre outras.

Para a segunda pergunta, tivemos respostas muito significativas também. Permanecer puro, se desligar das coisas mundanas e seguir os dez mandamentos foram algumas das respostas que obtivemos.

Sem dúvida, ser cristão no mundo contemporâneo é um grande desafio e ser um jovem cristão neste contexto é mais desafiador ainda.

Sempre ouvimos que o cristão precisa andar na contramão do mundo. Vamos pensar um pouco sobre o que significa estar na contramão. Estar na contramão não é confortável, é mais fácil ir para onde todos estão indo. A contramão é um lugar perigoso com grandes possibilidades de se machucar. Não é popular estar na contramão, certamente críticas serão ouvidas. Pode haver colisões frontais. Quando andamos na contramão certamente nos encontraremos com aqueles que vêm no sentido contrário. Finalmente é necessária muita coragem para estar nesta posição. Será que Deus realmente quer que andemos na contramão do mundo e soframos tantos constrangimentos?

A contramão: um imperativo bíblico

Em Romanos 12:2 lemos: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Não se conformar é não ter a mesma forma, em outras palavras é não estar na mesma direção. Deus requer de cada cristão que ande na contramão deste mundo.

A Bíblia nos apresenta vários exemplos de pessoas que escolheram estar na contramão deste mundo. Gostaria de destacar um deles.

O profeta Daniel foi levado de sua terra natal para a Babilônia quando ainda era jovem, provavelmente aos 18 anos de idade. Aquele lugar era o maior centro cultural e político de sua época. Em Daniel 1:5 lemos: “E o rei lhes determinou a porção diária das iguarias do rei, e do vinho que ele bebia, e que assim fossem alimentados por três anos; para que no fim destes pudessem estar diante do rei.” Há uma palavra que precisamos destacar deste verso, “determinou”. A “mão” do mundo para Daniel naquele momento era comer daquilo que o rei havia posto à mesa. A Bíblia registra qual foi a atitude do jovem profeta: “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se”(Dn 1:8). Daniel resolveu andar na contramão do mundo.

Se analisarmos este verso perceberemos que não foi uma decisão fácil. Dentre todos os escravos, Daniel estava numa posição privilegiada, pois foi escolhido para estudar na “Universidade da Babilônia”, a melhor do mundo. Ao decidir não estar na “mão do mundo” ele estava arriscando perder a vaga na universidade, perder status social elevado e um bom emprego. A despeito de tudo isso, o profeta dá dois passos importantes que devem ser dados por todo cristão jovem ou adulto. Ele “decide” não se contaminar, mas apenas decidir não é o suficiente, logo após ele vai para a ação, pedir ao chefe dos eunucos. Decisão e ação devem marcar a vida dos cristãos que andam na contramão do mundo.

Deus nunca desampara seus filhos. A atitude de Daniel de andar na contramão do mundo foi recompensada pelo Senhor. Em Daniel 1:15 lemos que por escolher uma dieta diferente dos demais, em dez dias pode perceber-se que ele e seus amigos eram mais robustos que os outros. Depois de três anos de estudos eles foram achados dez vezes mais inteligentes que qualquer outro estudante daquele local (Dn 1:20).

Andar na contramão – A Prática

Aquele episódio pelo qual Daniel e seus três amigos passaram estava diretamente ligado a um importante aspecto do cristianismo, a alimentação. Mas dele podemos retirar um principio útil para qualquer aspecto da vida cristã. Todo cristão precisa andar no caminho de Deus e este é a contramão do mundo.

Na prática funciona assim:

  • A Mão do mundo diz: sexo livre. A contramão diz: sexo apenas no casamento.
  • A Mão do mundo diz: pornografia. A contramão diz: pureza da mente.
  • A Mão do mundo diz: perca tempo com futilidades. A contramão diz: Dedique tempo à Bíblia e oração.
  • A Mão do mundo diz: desrespeite os pais. A contramão diz: honra teu pai e tua mãe.
  • A Mão do mundo diz: cole na prova. A contramão diz: tire nota baixa, mas não cole.
  • A mão do mundo sempre leva à perdição, somente a contramão do mundo pode nos levar ao céu.

Qual o segredo?

É possível que nesse momento alguns estejam pensando: Sei que preciso estar na contramão do mundo, mas não tenho forças, como conseguirei?

Ellen White escreveu sobre Daniel: “O profeta Daniel tinha um caráter notável. Ele foi brilhante exemplo daquilo que os homens podem chegar a ser quando unidos com o Deus da sabedoria” (Santificação, 18). O Salmo 119: 9-11 diz: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra. De todo o meu coração tenho te buscado; não me deixes desviar dos teus mandamentos. Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti”.

Não existe fórmula mágica para a fidelidade. Apenas a união com Jesus pode nos dar forças para resistirmos às ondas deste mundo. Somente Cristo pode nos indicar o caminho. “Quando te desviares para a direita ou para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: este é o caminho, andai por ele” (Is. 30:21). Necessitamos com urgência ter mais intimidade com Deus para ouvirmos sua voz e só então podermos andar na contramão do mundo.

Felippe Amorim

Fonte: http://felippeamorim.blogspot.com/

Prega a Palavra

Vivemos nos últimos dias da história da humanidade. Não há dúvida de que estamos muito próximo da volta de Jesus a este planeta. As profecias bíblicas a respeito deste período estão se cumprindo fielmente: catástrofes naturais, violência, fome, doenças, dentre tantas outras evidências do final dos tempos.

Os cristãos deveriam estar cada vez mais alerta diante de tudo que tem acontecido. Deus se preocupou em deixar em Sua Palavra conselhos que nos ajudariam a viver melhor neste período. Paulo, em sua carta a Timóteo, informa-nos como seriam os últimos dias da história deste planeta.

Em II Timóteo 3:1 a 5 o apóstolo descreve como estará o mundo pouco antes do retorno de Cristo. Ele informa profeticamente que seriam “tempos díficeis” nos quais os homens seriam “egoistas, avarentos, desobedientes aos pais, cruéis… mais amigos dos prazeres do que de Deus”. Apenas palavras inspiradas poderiam ser tão exatas em sua descrição, pois é um retrato fiel do mundo em que vivemos.

Após nos dar uma visão mais abrangente, Paulo concentra seu olhar na igreja e destaca dois grupos que existiriam nos últimos dias.

O primeiro grupo está descrito em II Timóteo 4:3,4. Este grupo estaria dentro da Igreja, mas sem compromisso algum com a Palavra de Deus. Uma das características desta porção da igreja é que “não suportariam a sã doutrina”. A pregação doutrinária confronta o pecado sem rodeios e isto ofende aos que amam o pecado. Para fugir destes sermões, este grupo procuraria mestres que apresentariam mensagens que “coçariam os seus ouvidos”. Esta expressão do apóstolo nos leva a pensar em pessoas que querem ouvir mensagens “agradáveis”, bonitas ,engraçadas, mas, muitas vezes, vazias.

Infelizmente, muitas igrejas na atualidade têm assumido este padrão homilético, tornando-se, assim, “amigáveis”. John MacArthur em seu livro “Com Vergonha do Evangelho”(Editora Fiel, 2009) diz que “ Nada, praticamente, é dispensado como impróprio para o culto [das igrejas “amigáveis”] … Aliás, uma das poucas coisas que é considerada como inadequada é a pregação clara e poderosa”(p. 46). Este autor registra alguns depoimentos interessantes de líderes destas igrejas. “ Aqui não há fogo nem enxofre. Nada de pressionar as pessoas com a Bíblia. Apenas mensagens práticas e divertidas”. “Os cultos em nossa igreja trazem consigo um ar de informalidade. Você não verá os ouvintes sendo ameaçados com o inferno ou sendo considerados como pecadores. O objetivo é fazer com que se sintam bem-vindos, não de afastá-los”. “O Pastor está pregando mensagens bastante atuais… mensagens de salvação, mas a idéia não é tanto de salvação do fogo do inferno. Pelo contrário, é salvação da falta de significado e de propósito nesta vida. É uma mensagem mais soft, de mais fácil aceitação.” (p. 48-49). Percebe-se facilmente que não há compromisso algum com a Palavra de Deus nestas igrejas. O apóstolo Paulo não recomenda estas mensagens e as cita em tom de reprovação.

O segundo grupo está descrito em I Timóteo 4:1,2. Enquanto o primeiro permanece dentro da igreja, este está sofrendo o processo de apostasia. Os motivos são esclarecidos. “Obedecem ensinos de demônios”, ou seja, seguem ensinamentos religiosos que são contrários à Bíblia. Outro motivo apresentado no texto é hipocrisia, pessoas que levam uma vida dupla, são uma coisa na igreja e outra no mundo. Os apóstatas do final dos tempos também têm a “mente cauterizada”, são membros de igreja para os quais nada mais é pecado. O Espírito Santo não consegue mais falar com estas pessoas.

Jon Paulien em seu livro “Deus no Mundo Real”(CPB, 2009) apresenta alguns passos que são dados no processo de apostasia: 1- Deixar a oração particular, orar apenas em público. Na igreja, por exemplo. 2- Deixar de Estudar a Bíblia e o Espírito de profecia. 3- A queda das normas do estilo de vida. 4- Frequência irregular aos cultos. 5- Dúvidas acerca da Bíblia e da Vida futura, ou seja, a pessoa começa a se ater aos “textos difíceis” e aos poucos vai desacreditando da Palavra de Deus. 6- Desconfiança na instituições religiosas, o que redunda em rebelar-se contra a igreja. Em um processo lento e às vezes imperceptível para quem está sofrendo, a pessoa sai da igreja.

O quadro descrito acima é lamentável, mas, graças a Deus, Paulo não nos deixou sem solução. Em I Timóteo 4:1,2 nos é apresentada a saída. A frase chave deste texto é: “Prega a Palavra”. Enquanto não colocarmos em nossos púlpitos e em nossa vida a mensagem da Bíblia como ela é, não conseguiremos escapar do triste fim que está reservado para o mundo.

Precisamos estudar mais a Bíblia, os pregadores precisam pregar mais a Bíblia e menos fábulas e histórias que comovem, mas não alimentam. Apenas a Palavra de Deus pode nos livrar da falta de fé e da apostasia. Paulo nos orienta como deve ser esta pregação. Com longanimidade (paciência) e doutrina. Não devemos usar o púlpito como chicote contra a igreja, a doutrina deve ser pregada com amor, paciência, mas sem omitir nenhuma parte dela.

“Recebidas, as verdades bíblicas elevarão a mente e a alma. Se a Palavra de Deus fosse apreciada como deveria ser, tanto os jovens como os idosos possuiriam uma retidão interior, uma firmeza de princípios que os habilitariam a resistir à tentação”(Ciência do Bom Viver, 459). Que a Bíblia seja nossa companheira diária na jornada rumo às mansões celestiais!

Felippe Amorim

Fonte: http://www.felippeamorim.blogspot.com/