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12/01/2017 02h40 - Atualizado em 12/01/2017 02h49
Os 4 principais pontos (3 deles sobre a Rússia) da tensa entrevista coletiva de Trump
Presidente eleito falou a grupo de repórteres pela primeira vez desde a eleição; divulgação de conteúdo de dossiê contra ele dominou boa parte da conversa.

G1
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A primeira entrevista coletiva à imprensa de Donald Trump como presidente eleito dos Estados Unidos foi marcada por perguntas e respostas tensas, a maioria delas dedicadas ao tema que tem concentrado as atenções às vésperas de sua posse na Casa Branca: a Rússia.

Nesta terça-feira (11), a imprensa americana publicou trechos de um dossiê que traz supostas informações comprometedoras sobre Trump, que teriam sido coletadas pelo governo russo - entre elas estaria o envolvimento do empresário com prostitutas.

Foi a primeira oportunidade que jornalistas tiveram de questionar Trump em uma coletiva desde que ele venceu as eleições, em novembro. A ideia era que o magnata desse detalhes sobre as questões envolvendo seus negócios, que, segundo ele, a partir de agora serão tocados por seus filhos. Mas a conversa acabou dominada pelo material publicado no dia anterior.

Os ânimos se acirraram quando o presidente eleito impediu que um repórter da CNN fizesse uma pergunta porque a rede noticiou o dossiê. "Você não, você não... sua organização é terrível. Silêncio, ela (outra entrevistadora) está fazendo uma pergunta, não seja rude", disse Trump ao jornalista, que protestava por não ser atendido.

Confira a seguir os quatro principais pontos da fala do republicano:

1) Dossiê sobre Trump

Na terça-feira, o portal de notícias Buzzfeed publicou um relatório - cujo conteúdo não pode ser confirmado -, segundo o qual a Rússia teria informações sobre o envolvimento de Trump com prostitutas no hotel Ritz-Carlton, em Moscou.

O documento, elaborado para a campanha da democrata Hillary Clinton, afirma também que membros da campanha presidencial estiveram em contato secreto com Moscou. E ainda que a inteligência russa vem "cultivando, apoiando e ajudando" o republicano há anos - o magnata teria recebido, por exemplo, informações da equipe de inteligência de Vladimir Putin sobre seus rivais políticos.

Na coletiva, o presidente eleito disse que essas afirmações "nunca deveriam ter sido escritas e nunca deveriam ter sido divulgadas".

"É tudo notícia falsa, é uma farsa, não aconteceu", afirmou ele, acrescentando que "pessoas doentes" tinham juntado "essa porcaria... é uma desgraça absoluta". Trump ressaltou que, como uma pessoa de alto perfil, era extremamente cauteloso em tudo o que fazia durante viagens ao exterior.

A Rússia também negou veementemente as acusações contidas no documento.

O republicano agradeceu as empresas jornalísticas que optaram por não publicar o conteúdo do dossiê, que circula há meses.

Segundo o The New York Times, parte do material começou a circular durante a campanha presidencial e tanto o jornal americano como outros veículos de comunicação tiveram acesso ao relatório, mas decidiram ignorá-lo porque as acusações não puderam ser verificadas.

Isso levou à discussão na coletiva entre Trump e representantes da rede de TV americana CNN, que ele criticou por ter publicado as acusações.

A CNN disse que não publicou os detalhes do relatório porque não poderia confirmá-los.

2) Hackers russos

A primeira conferência de imprensa de Trump como presidente eleito foi também a primeira vez em que ele admitiu o possível envolvimento da Rússia nos ataques de hackers contra o Partido Democrata durante a campanha presidencial.

"Acho que foi a Rússia", disse Trump, antes de acrescentar que "somos hackeados por outras pessoas".

Na ocasião, o site de vazamento de informações Wikileaks divulgou emails hackeados de pessoas como John Podesta, chefe de campanha de Hillary Clinton.

Trump condenou os atos ilegais, mas disse que os emails envolvendo a campanha de Clinton revelaram informações pertinentes. Além disso, afirmou que os dados do Comitê Nacional Democrata estavam "totalmente abertos" para serem hackeados porque o partido rival fez "um trabalho muito ruim".

O magnata não respondeu diretamente quando questionado sobre sua equipe ter se comunicado com a Rússia durante a campanha - se limitou a dizer que qualquer atividade de hackeamento por parte do Putin deve parar.

"Ele não deveria estar fazendo isso, ele não vai fazer isso."

Pela primeira vez, Donald Trump admitiu que Rússia pode estar envolvida em ataques hackers contra democratas

Pouco antes de sair, o republicano foi questionado sobre sua confiança nas agências de inteligência dos Estados Unidos, que ele criticou duramente por causa das investigações sobre o vazamento das informações do comitê de Hillary.

Trump então descreveu as agências como "vitais e muito importantes" e disse estar colocando "algumas pessoas excepcionais" para administrá-las.

Em dentro de 90 dias, finalizou, elas deveriam chegar a um "grande relatório sobre a defesa contra hackers".

3) Relação com Putin

O presidente eleito afirmou que os Estados Unidos têm "uma relação horrível" com a Rússia.

"Se agrado a Putin, isso é um ativo, não um problema. Eles nos ajudarão a combater o Estado Islâmico."

Durante a campanha, o líder russo elogiou o então candidato republicano, dizendo que Trump era um" homem muito valente e talentoso".

O magnata negou ter recebido investimentos ou empréstimos provenientes da Rússia.

Número de imigrantes sem documentos vivendo nos EUA pode passar de 11 milhões

4) Muro separando México e EUA

Na conversa com os jornalistas, Trump insistiu na proposta de construir um muro entre os Estados Unidos e o México para reduzir a entrada de imigrantes ilegais pela fronteira.

Após dizer que respeita o governo e o povo mexicano, ele voltou a afirmar que fará o país vizinho "reembolsar" o custo da obra e que há "várias maneiras" de fazer isso.

"Poderia esperar um ano e meio até terminarmos as negociações, que começarão imediatamente, mas não quero esperar", disse.

O novo secretário de Relações Exteriores do México, Luis Videgaray, reafirmou nesta semana que seu país não vai pagar pelo muro.

"Não há como isso acontecer (...) é uma questão de dignidade e soberania nacional."

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